O começo de temporada do Chelsea ainda é turbulento, mas não dá para dizer que é inesperado. O clube trocou o técnico Maurizio Sarri pelo ídolo Frank Lampard, que tinha só uma temporada como treinador na carreira, e foi proibido de contratar jogadores por duas janelas de transferências. Para piorar, perdeu seu melhor jogador, Eden Hazard. Neste último domingo, com todos os problemas de instabilidade, os Blues fizeram um jogo parelho com o Liverpool, que levou muitos problemas ao time que lidera a Premier League no momento. Perdeu por 2 a 1, mas teve um gol bem anulado pelo VAR por impedimento. Lampard comentou sobre o uso da tecnologia e o desempenho do time na partida.

O Chelsea chegou ao gol de empate com Cesar Azpilicueta, mas o tento foi anulado pelo VAR. “Nós temos que nos acostumar com isso. É algo triste para a comemoração e o momento, mas se nós queremos as decisões corretas, é onde estamos”, afirmou Lampard depois do jogo do último domingo. “Ele muda a atmosfera na torcida, no campo. Nós ficamos um pouco desanimados e eles se empolgaram. Nós merecíamos empatar naquele ponto”.

A atuação do Chelsea colocou o Liverpool sob pressão, especialmente nos minutos finais, com o time de Júrgen Klopp tendo que defender a vantagem com unhas e dentes. O técnico Frank Lampard ficou decepcionado com a vitória, mas disse que o time conseguiu fazer um jogo de igual para igual com o Liverpool, que venceu todos os jogos até aqui na Premier League e é o campeão europeu.

“Se trata do espírito e mentalidade que nós mostramos no segundo tempo. Não é fácil estar perdendo por 2 a 0 no intervalo”, afirmou Lampard. “Você pode levar um golpe no queixo e dizer ‘estes times são bons demais, não podemos mudar isso’, mas nós fizemos o oposto disso, algo do qual estou orgulhoso. Mas nós precisamos de pontos também”.

Um dos grandes destaques do time acabou sendo N’Golo Kanté, o que não é exatamente novidade. A novidade foi a forma como ele se destacou, com um golaço, de rapidez, habilidade e precisão, diminuindo o placar para 2 a 1.

“Nós acabamos não sendo surpresos com Kanté, o que não é justo com a realidade. Nós fizemos isso na Supercopa da Uefa sem treinamento, ele disse isso hoje provavelmente sem treino para estar apto fisicamente, mas ele é tão importante para nós que colocamos ele no time e ele mostrou suas qualidades”, disse o treinador.

Saber lidar com o que causa o VAR será um desafio para os treinadores e jogadores. A emoção causada por um gol pode se tornar uma frustração, como descreveu Lampard sobre o gol de Azpilicueta. O que poderia ser um combustível para o time buscar o empate se tornou desânimo, enquanto, do outro lado, virou empolgação e mais motivação.

O mental é uma parte importante de qualquer atividade humana e no esporte, claro, é algo fundamental. Esse preparo psicológico para lidar com esse tipo de frustração pode ser a diferença entre um time conseguir ou não conseguir o resultado. Em um time de jovens como é o Chelsea atual, o problema pode ser ainda maior.

Há diversas discussões relevantes que o VAR levanta e que certamente suscitarão questionamentos que são importantes, incluindo a própria regra do impedimento, que é a fundação do futebol. Como marcar os impedimentos será uma discussão importante. Mas o que ainda parece receber menos atenção é justamente que será preciso preparar os jogadores, psicologicamente, para eventuais gols anulados. Para manterem a força mental diante de decisões negativas, como foi no caso do Chelsea. Os times que melhor saberem lidar com isso poderão se aproveitar desse tipo de momento. A psicologia do esporte sempre foi importante, mas nesse momento de transição, tende a ser ainda mais.