Ricardo Boechat será lembrado como um dos jornalistas mais importantes do Brasil nas últimas décadas. Acima disso, se manteve como um exemplo à prática do jornalismo em diferentes âmbitos. Seja como repórter, colunista, comentarista, âncora ou chefe de redação. Seja no impresso, no rádio ou na televisão. Independentemente de seu cargo ou do veículo em que se comunicava, Boechat exercia plenamente o papel de sua profissão. Suas opiniões podiam não agradar a todos, o que faz parte do processo. Ainda assim, sua postura questionadora e objetiva era vital ao trabalho, sem perder sua leveza. Entre a apuração dos fatos e a análise dos cenários, oferecia ao seu público uma postura crítica e elementos para formar argumentos. Algo que deveria ser inerente, sempre.

A trágica morte de Boechat nesta segunda-feira, aos 66 anos, deixa um vazio. O âncora da Band faleceu em um acidente de helicóptero, ao lado do piloto Ronaldo Quattrucci, que conduzia a aeronave. Deixam familiares e amigos, enquanto o jornalista também muitos colegas de profissão que o viam como um norte. Analisar o conteúdo produzido pelo veterano também servia de lição sobre condutas no jornalismo. E, ao público, fará falta uma voz que ecoava, principalmente em suas visões sobre o cotidiano e a política do Brasil.

 

Filho de um diplomata, Boechat nasceu na Argentina, mas cresceu no Rio de Janeiro. Por lá, criou sua paixão pelo Flamengo e se tornou frequentador do Maracanã. O jornalista simpatizava com outras equipes, se dizendo torcedor do América Mineiro em Belo Horizonte e também abraçando a Portuguesa quando se mudou para São Paulo. De qualquer maneira, era em rubro-negro que o coração bateu mais forte. Nos últimos dias, inclusive, manteve o seu tom crítico na cobertura da tragédia ocorrida no Ninho do Urubu.

Para relembrar o âncora, reproduzimos um vídeo de 2009, exibido pelo programa Band Esporte Clube. Nele, Boechat e o também saudoso Joelmir Beting falam sobre suas devoções, diante da corrida entre Fla e Palmeiras pelo título no Brasileirão daquele ano. Vale lembrar que, no fim das contas, Boechat levou os R$100 apostados com Joelmir. Petkovic protagonizou uma de suas melhores atuações pelo Flamengo e anotou dois golaços no Parque Antárctica, um deles olímpico. O camisa 43 comandou a vitória por 2 a 0, fundamental para conduzir o time de Andrade ao inesperado título nacional. Boechat festejaria aquele campeonato.

Vale conferir também o texto de Mauro Beting, em seu blog, contando histórias do amigo.