Lá vem eles de novo: Cada vez mais consistente neste ciclo de renovação, a Alemanha se confirma na Copa

Alemães não tomaram conhecimento da Irlanda do Norte durante a visita ao Windsor Park e, com a nona vitória em nove jogos, se classificaram à Rússia

Pode não ter sido o ciclo mais brilhante o tempo todo. Ao longo dos últimos quatro anos, surgiram alguns questionamentos sobre a seleção alemã. De fato, o time perdeu força com a aposentadoria de alguns de seus protagonistas – sobretudo, de Philipp Lahm, Miroslav Klose e Bastian Schweinsteiger. Ainda assim, a segurança do trabalho de Joachim Löw é enorme. E, dentro de suas possibilidades, o Nationalelf continua contando com uma das melhores seleções do mundo. Continua vencendo, como seu costume. Já tinha feito grande campanha na Euro 2016. Conquistou a Copa das Confederações com seu segundo quadro. Até confirmar nesta quinta a classificação à Copa do Mundo de 2018, resultado de uma trajetória bastante tranquila e imponente nas Eliminatórias. Vai à Rússia esperando o ápice do amadurecimento gradual de seu elenco.

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Embora o sorteio tenha ajudado, evitando maiores dificuldades no caminho, a Alemanha teve um desempenho impecável nas Eliminatórias. Venceu os seus oito primeiros jogos, anotando 35 gols e sofrendo apenas dois. A partida anterior, contra a Noruega, guardou uma das exibições mais impressionantes do Nationalelf nos últimos anos. Já o compromisso mais difícil aconteceu justamente nesta quinta, visitando a Irlanda do Norte no Windsor Park. Apesar de possível, a perda da liderança na última rodada parecia improvável. De qualquer forma, os norte-irlandeses poderiam aprontar, considerando seu ótimo retrospecto recente e a segunda colocação já garantida no Grupo C. Além do mais, os desfalques no Nationalelf seriam mais um motivo para os anfitriões ganharem confiança. Não foi o que aconteceu quando a bola rolou, com o nono triunfo germânico em nove jogos.

A vitória alemã por 3 a 1 se resolveu em 20 minutos. E graças a dois jogadores que buscam se firmar no elenco. Logo aos dois, Sebastian Rudy abriu o placar com um golaço, em bomba indefensável de fora da área. Depois, seria a vez de Sandro Wagner aparecer. Sem Timo Werner ou Mario Gómez, o centroavante ganhou a chance entre os titulares. Primeiro acertou a trave. Já aos 21, anotou um belo gol ao receber de Thomas Müller, girar sobre a marcação e finalizar com firmeza. Os norte-irlandeses até incomodaram em alguns momentos, chegando a acertar uma bola no travessão com Conor Washington, mas o domínio da Alemanha foi incontestável. Controlando a posse de bola, os visitantes finalizaram mais e fecharam a conta aos 41 do segundo tempo, em chute perfeito de Joshua Kimmich, pegando de primeira e mandando a bola no canto. Por fim, Josh Magennis descontou nos acréscimos.

Olhando para o papel, Joachim Löw continua contando com um dos elencos mais completos do mundo. Pode sentir falta de lideranças como Lahm, Klose e Schweinsteiger, fundamentais para que o time criasse uma casca em suas derrotas nas Copas anteriores, até consumar o tetracampeonato mundial em 2014. Independentemente disso, a qualidade é vasta. E mesmo as lacunas deixadas pelos veteranos passaram a contar com excelentes reposições. Kimmich e Timo Werner cresceram demais de produção nos últimos dois anos, colocando-se entre os principais nomes do time. Já para a cabeça de área, as opções são vastas, com Emre Can, Sebastian Rudy, Leon Goretzka e Julian Weigl também se destacando para a posição, ao lado de Toni Kroos e Sami Khedira.

Esta quantidade de alternativas a Löw, aliás, atenua um dos desafios mais constantes da Alemanha nos últimos anos: as recorrentes lesões. Se pudesse contar sempre com os seus melhores, o Nationalelf teria uma equipe ainda mais talentosa. Porém, as ausências constantes de talentos como Marco Reus e Ilkay Gündogan minam as forças. Nesta Data Fifa, por exemplo, além de ambos, outras ausências sentidas são as de Manuel Neuer, Jonas Hector, Mesut Özil e Sami Khedira, bem como dos supracitados Timo Werner e Mario Gómez. Com o time completo, certamente faltaria espaço para todos entre os titulares. Mas a capacidade para contar os desfalques é mais uma virtude que se escancara. Que torna o grupo mais pronto para superar outros problemas em 2018.

Pensando no 11 ideal da Alemanha, apenas a lateral esquerda permanece sem um candidato tão badalado – o que também já tinha ocorrido em 2014. Jonas Hector é o titular absoluto na posição e faz um bom trabalho, mas longe de ser incontestável. Ainda assim, nada que comprometa o conjunto. E vale mencionar também a ascensão de outros atletas especialmente na zaga, para fazer sombra a Mats Hummels e Jérôme Boateng, e na a trinca de meias, onde Julian Draxler se transformou em protagonista, enquanto Leroy Sané e Julian Brandt puxam a nova geração. A renovação precisa ser constante em qualquer seleção. E o trabalho de transição na Alemanha beira a perfeição, até por aquilo que já se viu na Copa das Confederações ou no Campeonato Europeu Sub-21.

E que tenha impressionado mais em outros momentos até 2014, a Alemanha sabe que seu grande objetivo é a Copa, o torneio no qual sempre fez campanhas excelentes neste século – mesmo que o título só tenha vindo uma vez. A confirmação da vaga na Rússia completa uma etapa. O processo se alongará por alguns meses, até que se feche o grupo rumo ao Mundial. Neste sentido, Joachim Löw e os seus comandados sabem que o time não está totalmente pronto, e isso é importante. Mas ainda mais importante é a maneira como o elenco ganha consistência. Entre os tradicionais favoritos ao título, o Nationalelf parece justamente aquele em estágio mais avançado de preparação. Deverá, novamente, impor respeito na Copa do Mundo.