O meio-campista Toni Kroos foi duro com o seu companheiro de equipe, Mesut Özil, que decidiu não jogar mais pela seleção alemã. Depois de anunciar que continuará defendendo as cores da seleção alemã, Kroos disse que Özil é boa pessoa e merecia uma despedida melhor do futebol de seleções. Mas não deixou de criticar alguns trechos da carta de despedida de Özil, incluindo as acusações de racismo dentro do elenco.

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“As partes do comunicado de desistência da seleção que são boas e bem ditas são tristemente ofuscadas proporção consideravelmente maior de absurdos”, disse Kroos. “Eu acho que ele mesmo sabe que não há racismo dentro da seleção alemã e na DFB. É o contrário: nós repetidamente promovemos a diversidade e a integração como ponto de princípio. Mesut foi sempre um bom exemplo disso, como muitos outros jogadores”, criticou o meio-campista.

Na opinião de Kroos, Özil mereceu críticas depois que ele e Ilkay Gündogan se encontraram e tiraram fotos com o presidente da Turquia, Recep Erdogan, antes da Copa do Mundo. “No entanto, ele foi absolutamente apoiado pela comissão técnico e pelo time”, conta Kroos, que admite que soube que o jogador recebeu golpes baixos naquele momento. Para ele, “você tem que aturar isso como um jogador”.

Apesar desse problema, Kroos não considera que o escândalo contribuiu para a campanha ruim da Alemanha na Copa do Mundo de 2018. “Do meu ponto de vista, seria vergonhoso para o time se esconder atrás desse debate, que aconteceu principalmente em público, não dentro do elenco, e dizer que isso foi razão para a nossa eliminação”, disse o jogador.

A Alemanha acabou eliminada na primeira fase da Copa, ficando em última no seu grupo e perdendo o jogo final para a Coreia do Sul. O vexame fez com que se especulasse que muitos jogadores deixassem a seleção depois da Copa. Özil se aposentou, assim como Mario Gómez, mas Toni Kroos afirmou que irá permanecer defendendo a Alemanha.

“Eu irei continuar até a Eurocopa 2020 e coloquei o objetivo para mim mesmo de ser mais bem-sucedido que no passado recente”, disse Kroos. “Eu tive uma boa conversa com o técnico Joachim Löw. Nós temos que encontrar soluções juntos, então posso ter um descanso aqui e ali. Para mim, esse é o único jeito, e eu agradeço a Jogi por compreender”.

“Minha esposa me disse: ‘Querido, você simplesmente não pode se aposentar assim’”, conta Kroos, que ainda relata que o incentivo do seu filho mais novo também ajudou a motivá-lo a continuar. Isso não significa, porém, que ele deve jogar todos os jogos. O meio-campista disse que conversou com o técnico, Joachim Löw, para ter um calendário menos pesado. “Vou precisar de mais descanso que nos últimos cinco ou seis anos para manter o mesmo nível nas temporadas seguintes”, disse Kroos.

Perguntado como fazer para a Alemanha se recuperar depois do fracasso na Rússia, Kroos elogiou o técnico Löw e pediu mais vontade, em todas as áreas do campo. “Precisamos ter mais vontade e sermos mais fortes quando se trata de criar chances. Devemos nos tornar mais acostumados a jogar como um time novamente quando estivermos nos defendendo. Nós temos que melhorar isso, sem nos tornarmos um time totalmente defensivos”, analisou.

Como não poderia deixar de ser, Löw comemorou a permanência de Kroos na seleção. “Eu tive muitas boas e longas conversas com Toni e estou muito satisfeito que ele decidiu continuar jogando pela seleção e ir até a Eurocopa 2020 junto conosco”, declarou o técnico. “Com sua experiência, classe e personalidade, ele é, claro, um jogador fundamental que tem um papel importante nos nossos planos dentro e fora de campo”.