Kroos reforça crítica a novas competições como a Superliga Europeia: “Não restou mais nada para sugar de nós”

Depois de criticar a criação de novas competições, como a discutida Superliga Europeia, e afirmar no início desta semana que os jogadores eram apenas marionetes de Fifa e Uefa, Toni Kroos deu entrevista ao jornal Marca nesta sexta-feira (13) e, além de falar do momento irregular do Real Madrid e da fase espetacular do Bayern de Munique, reforçou sua oposição ao advento de novos torneios: “Não restou mais nada para sugar de nós”.

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Toni Kroos concedeu que, sim, haveria um lado bom na criação de uma Superliga Europeia, já que, reunindo os maiores clubes do mundo, a competição ofereceria em teoria futebol de alto nível.

“Há coisas positivas nela, sem dúvidas. Veremos vários jogos de alto nível que apenas vemos nas semifinais da Champions League, e todos nós gostamos de partidas assim. Será muito interessante para os torcedores de algumas equipes e para aqueles que não torcem exatamente para ninguém. Todos gostam de ver futebol no mais alto nível”, afirmou.

Kroos então alertou sobre o risco que uma Superliga representaria aos clubes menores, que possivelmente veriam suas ligas nacionais esvaziadas de suas principais equipes ou pelo menos relegadas na lista de prioridades, desvalorizando o produto e diminuindo o fluxo de dinheiro que hoje financia esses times mais modestos. Sua principal questão ao criticar novas competições, no entanto, é outra.

“Estou preocupado que eles estejam criando mais competições. Temos duas ou três semanas em que não há jogos, e tenho certeza de que a Fifa e a Uefa vão encontrar uma nova competição (para este intervalo). Isso me preocupa por causa da saúde de todos os jogadores. Jogar a cada três dias significa que você estará jogando cansado e que os jogos não terão o nível que queremos”, advertiu.

“Como, por exemplo, jogar um Mundial de Clubes com 20 equipes. Não acho que isso seja necessário. Não restou mais nada para sugar de nós, atletas. Os jogadores não vão gostar disso.”

Desde 2014 no Real Madrid, Kroos viveu um período de ouro com a equipe entre 2015 e 2018, vencendo três Champions Leagues seguidas. Por isso e pela exigência inerente de fazer parte dos Merengues, está incomodado com o atual momento de irregularidade da equipe, que tem dificuldade em acumular boas atuações e resultados consecutivos. Questionado sobre o que falta à equipe de Zidane, o meia afirmou que tudo se trata de detalhes.

“No fim, está nos faltando alguma coisa, isso não é nenhum segredo, todos podem ver. Não nos falta muito, precisamos ser consistentes. Se você olhar para os resultados, são dois bons, um ruim, dois bons, um ruim. Precisamos fazer melhor do que isso. Você vê alguns jogos e percebe que podemos ser muito melhores: contra o Barcelona, o primeiro tempo contra a Inter e um outro”, argumentou.

“Falta-nos consistência. Se fomos bem contra o Barcelona, também precisamos ir bem contra Cádiz ou Shakhtar, em casa. Há uma grande diferença nas atuações no momento. Às vezes, elas são muito boas, às vezes, muito ruins. Temos que melhorar se quisermos vencer algum título”, alertou.

Ex-jogador do Bayern de Munique, Kroos vê os bávaros como a melhor equipe do mundo no momento, um posto que já ocupou com o Real Madrid. Para o meia, o momento é da equipe de Hansi Flick, e o ciclo é algo natural.

“Sem dúvidas, o Bayern tem o melhor time do mundo nos últimos meses. O Real Madrid foi assim por alguns anos, e sabemos que é difícil (atingir este nível). É impossível vencer por dez anos seguidos. O Real Madrid foi o melhor time do mundo por dois ou três anos. Agora, é o Bayern, e isso não quer dizer que somos ruins. (…) Eles ganharam a Champions League e, para mim, quem ganha essa competição é o melhor time do mundo, porque é o torneio mais difícil de vencer.”

Por mais que considere o Bayern tão à frente do Real, Kroos não vê como prioridade uma busca pela diminuição da distância entre os dois. Enquanto os bávaros não estiverem no radar dos Merengues, o desafio seguirá sendo o de ganhar consistência: “Eles são melhores do que nós, mas isso não é um grande problema no momento, porque não jogamos a Bundesliga e não estamos jogando contra eles na Liga dos Campeões, pelo menos não por enquanto”.

Apesar do alerta ligado em uma temporada que já trouxe derrotas para o recém-promovido Cádiz, um Valencia em crise e um Shakhtar Donetsk fortemente desfalcado, Kroos acredita que há motivos para acreditar que esta equipe atual do Real tem capacidade de melhorar.

“Se você vir como podemos jogar bem, claro (que há razão para a torcida esperar que as coisas melhorem). Às vezes você perde, não joga bem, isso pode acontecer. Mas isso acontece mais do que gostaríamos, e não podemos permitir isso.”