Jogar futebol na rua é uma atividade muito praticada por crianças de vários países, principalmente os subdesenvolvidos. Destaca-se na brincadeira quem conseguir driblar os adversários e os inúmeros obstáculos que podem ser encontrados no terreno, assim como um dia fez um marfinense, hoje titular de sua seleção e do PSV. Estamos falando de Arouna Koné.

Aos 22 anos, o atacante nutre em suas raízes a clássica história dos futebolistas africanos. Nasceu e cresceu em Anyama, povoado próximo à capital Abidjan. Querendo alçar vôos mais altos, deixou a pelada nas ruas para trás e procurou o centro de formação da equipe local, o Rio Sport Anyama. Aos 17 anos já fazia parte do time principal.

Bastou apenas um ano com os adultos para que olheiros o levassem para um período de testes no Lens, da França. O que era para durar uma semana, pelo bom desempenho do atacante, durou um mês. Porém, não houve acerto financeiro entre as partes e Koné rumou para a Bélgica, onde defendeu o Lierse na temporada 02/03. O garoto africano começava a brilhar em gramados europeus.

Os 11 gols em 32 jogos com a camisa do clube belga despertaram o interesse da direção do Roda, da Holanda. Em duas temporadas na nova equipe, marcou 26 gols em 61 jogos, marca expressiva para um segundo atacante, que também cai pelas pontas.

O sucesso na equipe mediana rendeu a Koné o contrato de empréstimo de um ano com o PSV. Logo o marfinense garantiu seu espaço no time titular e aumentou sua média de gols no Campeonato Holandês. Em 21 partidas pela temporada 05/06 anotou 13 gols (dois ainda pelo Roda, com quem tem contrato até 2008).

Desempenhando seu papel com brilhantismo, o camisa 10 não deve ter problemas em ser contratado em definitivo por seu clube atual, ainda mais com o título holandês conquistado após o empate em 1 a 1 contra o Groningen, dia 9 de abril.

Elefante ganhando espaço

Em 2003, Arouna Koné desembarcou nos Emirados Árabes Unidos para a disputa do Mundial sub-20. Então desconhecido, presenciava todos os holofotes voltados ao seu companheiro de ataque Antonin Kutuan, que atuava pelo Lorient, da França. Bastou uma bela atuação na partida de estréia (vitória de 2 a 1 contra o México – a única da Costa do Marfim na história da competição) para se tornar a nova estrela da seleção e ser considerado o “terror das áreas” pelo site da Fifa.

Desde então Koné já contabiliza 14 jogos pela seleção principal. Com 1,81m e 81kg, o atacante alia muito bem a força e a habilidade. Sua explosão física garante mais velocidade ao já veloz quarteto ofensivo da Costa do Marfim, que conta também com Dindane, Kalou e Drogba.

Apesar de uma atuação apenas razoável na última Copa Africana de Nações, Koné foi o responsável por um dos gols mais importantes dos Elefantes (como é conhecida a seleção daquele país) no torneio. O do empate por 1 a 1 com o maior rival Camarões, nas quartas-de-final – a Costa do Marfim seguiu na competição após dramática vitória nos pênaltis por 12 a 11.

Na Copa da Alemanha, os Elefantes não poderão depender apenas de Didier Drogba se quiserem passar às fases seguintes. No chamado “grupo da morte”, ao lado de Argentina, Holanda e Sérvia e Montenegro, a Costa do Marfim terá de mostrar algo a mais para superar as rivais. E Arouna Koné, que vem ascendendo ano a ano, pode ser a carta na manga dos marfinenses.


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