O Manchester City poderá conquistar dezenas de títulos, mas a Premier League de 2011/12 seguirá ocupando um lugar especial na galeria de troféus do clube. Aquela foi a primeira liga faturada nos tempos abastados dos celestes, também rompendo um jejum de 44 anos do time no Campeonato Inglês. De qualquer maneira, mais emblemático ainda foi o enredo escrito durante a reta final da campanha. Os Citizens chegaram a ficar oito pontos atrás do Manchester United. Conseguiram se recuperar e consumaram o feito de forma épica, com a vitória por 3 a 2 sobre o Queens Park Rangers – graças ao milagroso gol de Sergio Agüero nos acréscimos.

Oito anos depois daquela conquista, Vincent Kompany não nega que o United tinha totais condições de se coroar e que também possuía uma equipe mais completa. Em conversa com Gary Lineker, na BBC Sport, o antigo capitão do Manchester City sentia seu time como irregular e menos experiente. Mas, no fim das contas, a sorte pesou a seu favor.

“Fomos campeões naquela temporada, mas a verdade é que o Manchester United era melhor e jogou fora o título. Não éramos consistentes. Fomos fantásticos em alguns momentos, enquanto em outros tivemos derrotas inexplicáveis e situações problemáticas durante a campanha. Não foi um campeonato calmo. Quando você pensa que eles tinham Ferguson, Ferdinand, Vidic, Van der Sar, Evra… era um grande time. Todos esses caras e ainda deixaram escapar”, declarou Kompany, durante a conversa.

O próprio ambiente no Manchester City não contribuía muito – com vários craques geniosos e temperamentais. A equipe de Roberto Mancini tinha suas confusões internas e, segundo Kompany, isso quase a tirou da rota pela taça. Entretanto, quando o futebol dos celestes engrenava, eles eram capazes de acumular vitórias sobre quem aparecesse pela frente.

“Fizemos algo fantástico. Sempre que estivemos bem como time, fomos capazes de ganhar oito, nove, dez partidas seguidas. Então as coisas podiam explodir e ter uma briga no centro de treinamentos ou algo parecido. Depois, estaríamos ganhando mais dez seguidas. Ainda era um pouco o velho City naquela época, mas tivemos força no final e isso foi o mais importante”, analisou.

Sobre o gol de Agüero nos acréscimos da rodada final, Kompany relembrou: “Senti como se eu gritasse minha alma para fora do meu corpo, foi uma explosão desse tamanho. Eu me lembro como um dos momentos mais confusos da minha vida, porque era apenas caos. Se você olhar minha carreira no City depois disso, tudo era muito claro. Você vai bem, consegue os resultados. Mas aquilo era o caos”.

“Foi um dia especial. Ainda hoje, não sei descrever o que aconteceu naquele momento, como quase deixamos escapar na última partida, depois de recuperarmos a diferença de pontos na tabela. É uma alegria, mas ao mesmo tempo, quando vejo as imagens, penso no que aconteceria se a bola não entrasse… Seria um péssimo dia na minha vida. [risos] Assim que a bola entrou, eu sabia que aquele poderia ser o momento da minha geração no futebol. Estava claro, era especial o que Sergio fez. Ele estava mal na partida, mas esperou até o último segundo para dar uma contribuição positiva. Isso o cimentou na história do City e do futebol”, complementou.

Kompany também apontou que o ambiente já seria diferente na segunda conquista da Premier League desta geração, em 2013/14. Os jogadores ficaram muito mais seguros de si durante a corrida com o Liverpool, por mais que os Reds parecessem mais próximos do troféu em alguns momentos. O mesmo se repetiria em 2018/19, com a disputa ponto a ponto entre a equipe de Pep Guardiola e a de Jürgen Klopp.

“Sinto que nós conseguimos manter a calma quando disputamos o segundo título com o Liverpool e também o último, em que superamos de novo o Liverpool. Acho que havia um núcleo de jogadores que passou por isso e deu a mim uma mentalidade de absoluta confiança, de que apenas precisávamos manter a calma, fazer que a equipe entendesse o processo. Isso ajudou demais”, finalizou o veterano.

O Manchester City encerrou a temporada 2011/12 com 89 pontos, igualado ao Manchester United. Todavia, os Citizens tinham um saldo de gols superior e por isso ficaram com a vantagem no desempate. Vale lembrar que, durante o primeiro turno, os celestes golearam os Red Devils em Old Trafford por 6 a 1 – um placar decisivo à diferença de oito gols no saldo, favorável aos campeões. Kompany também determinou a vitória por 1 a 0 no clássico do Estádio Etihad, durante a reta final do returno. Aquele triunfo permitiu aos Citizens se igualarem aos rivais no topo da tabela, terminando de tirar os oito pontos de diferença.