Em circunstâncias distintas, Vincent Kompany e Simon Mignolet são dois nomes importantes que retornaram ao futebol belga nesta temporada. Enquanto o ex-capitão do Manchester City voltou para atuar pelo Anderlecht e também para treinar o time principal, o goleiro saiu do Liverpool sem tanto espaço para recuperar a idolatria no Club Brugge. Neste domingo, os dois companheiros de seleção se encontraram no clássico, realizado em Bruxelas. E, em meio aos tumultos causados pela torcida lilás, Kompany teve uma atitude rara de se ver, ao defender Mignolet diante dos próprios torcedores.

A situação do Anderlecht ajuda a entender um pouco mais a fúria da torcida. A equipe começou mal o Campeonato Belga, a ponto de Kompany momentaneamente voltar atrás em sua decisão de ser treinador e focar apenas na missão dentro de campo. O clube ocupa o modesto nono lugar na liga e, neste momento, está a sete pontos da zona de classificação ao hexagonal final. E, como se não bastasse, os anfitriões permitiram a virada do Club Brugge em Bruxelas, no clássico da rodada. Antoine Colassin até abriu o placar, antes que Hans Vanaken marcasse dois gols e entregasse o triunfo por 2 a 1 aos visitantes.

A má fase do Anderlecht, ainda assim, não serve para atenuar o ato de violência ocorrido atrás do gol de Mignolet. Antes que o goleiro batesse um tiro de meta, os torcedores atiraram um rojão perto da bola. O estouro aconteceu muito próximo ao camisa 1, que protegeu os olhos e se afastou do local. Foi então que Kompany se aproximou para discutir com os responsáveis pela tentativa de agressão. Bateu no peito e esbravejou contra o gesto, que colocou em risco a integridade física de um profissional e ainda pode provocar punições à equipe.

Além disso, Kompany abraçou Mignolet e caminhou com o companheiro de seleção até as tribunas, exaltando-o. O detalhe é que, pouco antes, o goleiro tinha protagonizado um instante de companheirismo e espírito esportivo com um jogador adversário. Colassin caiu dentro de campo com cãibras e foi o arqueiro adversário quem o ajudou a se alongar.

“Simon é jogador da seleção. Respeito deve estar acima de tudo. Mesmo em uma situação difícil, devemos mostrar classe. Conversei com os ultras depois da partida e eles me disseram que a bomba não foi atirada por eles”, explicou Kompany, aos microfones da RTBF. Mignolet foi mais duro em suas palavras: “São coisas que, infelizmente, não pertencem ao futebol. Eles usaram fumaça antes do jogo e pensei que fosse isso. Por sorte eu saí a tempo, porque todo mundo viu o que aconteceu depois. Sempre sou respeitoso. Entendo que exista rivalidade, mas as pessoas devem ser mais inteligentes que isso. A resposta de Vincent foi ótima. Sei que ele sente o problema do mesmo jeito. É desse ato que devemos nos lembrar”.

O Club Brugge lidera o Campeonato Belga com 52 pontos, dez de vantagem sobre o segundo colocado e 25 a mais que o Anderlecht. Mignolet é justamente um dos grandes destaques da campanha, com míseros nove gols sofridos em 21 rodadas, além de 11 partidas sem ser vazado. Nos últimos três meses, o veterano terminou eleito o “Jogador do Mês” de seu clube, em votação realizada pelos próprios torcedores.