O capitão do Manchester City terá um novo destino na próxima temporada. Vincent Kompany, de 33 anos, tem o seu contrato terminado no próximo dia 30 de junho. Para a próxima temporada, o jogador anunciou que voltará às origens: vai para o Anderlecht, clube que o formou como jogador e pelo qual se profissionalizou, em 2003. Só que é um pouco mais do que a volta do jogador ao seu primeiro clube: ele será treinador e jogador ao mesmo tempo.

Kompany foi titular neste sábado, quando capitaneou pela última vez o Manchester City no título da Copa da Inglaterra sobre o Watford. Pelos corredores do estádio Wembley, os jornalistas tentaram descobrir qual seria o seu próximo clube, mas ele não quis revelar. Afirmou que tinha “compromissos familiares”, mas sem dar qualquer detalhe.

Nas últimas semanas, havia uma dúvida se o Manchester City ofereceria um novo contrato para o zagueiro belga, que estava no clube desde 2008. Ele chegou ainda com outro dono no time inglês e em uma realidade completamente diferente da que vive atualmente. Naquela época, o Manchester City tentava galgar postos no Campeonato Inglês, ainda muito distante dos melhores times do país. O rival, Manchester United, foi tricampeão inglês no ano que o belga chegou ao City. Ele deixa o time como um ídolo, mas também com o clube entre os melhores da Europa – ainda que não tenha conseguido repetir o sucesso e força doméstica em campos de torneios europeus.

“Não faz muito tempo eu recebi uma ligação do Anderlecht”, escreveu Kompany. “De forma inesperada, eles me ofereceram a posição de jogador-treinador. Michael [Verschueren, diretor esportivo] e Frank [Arnesen, diretor técnico] me explicaram em detalhes como eles viam isso funcionando na prática. Eles haviam pensado nisso. Fiquei não só impressionado, mas também intrigado com este sinal de confiança em mim”, afirmou o jogador, que também será técnico.

“Pep Guardiola reacendeu meu amor pelo jogo. Eu testemunhei, participei, analisei, absorvi, estudei. O Manchester City joga o futebol que eu quero jogar. É o futebol que eu quero ensinar e ver sendo jogado. Eu decidi aceitar o desafio no Anderlecht. Jogador-treinador”, disse ainda o zagueiro.

Quando Guardiola chegou ao clube, em 2016, havia dúvidas se Kompany poderia continuar atuando pelo clube. Nem tanto pelas suas qualidades como zagueiro, que se encaixariam no jogo de Guardiola, mas pelas constantes lesões. De fato, no início o jogador esteve pouco tempo em campo. Nas duas últimas temporadas, porém, Kompany se tornou um jogador crucial para o time, atuando em momentos importantes e tendo ótimas partidas, especialmente na reta final.

Ainda assim, o Manchester City teve outros zagueiros com mais minutos ao longo da temporada, como Aymeric Laporte, o titular ao lado de Kompany na reta final, e mesmo John Stones, que ficou no banco nos últimos jogos. Nicolás Otamendi perdeu espaço e talvez nem fique para a próxima temporada. No elenco, já há Philippe Sandler, 22 anos, holandês que veio PEC Zwolle e é uma aposta do clube para os próximos anos. Sem Kompany, ele pode começar a ganhar espaço, ao menos entre os reservas, e entrar na rotação do time, que precisará – entrará na próxima temporada novamente em quatro competições e com ambição em todas.

A lista de títulos de Kompany é grande. São quatro Premier League, duas Copas da Inglaterra, quatro Copas da Liga e dois Community Shield, a Supercopa da Inglaterra. Ainda no gramado depois da vitória na Copa da Inglaterra, Kompany disse que “ganhar um título nem estava entre as possibilidades” quando ele chegou.

“Inúmeras vezes eu imaginei esse dia, depois de tudo, no final pareceu muito perto por muitos anos”, escreveu Kompany. “Ainda não sinto isso ser real. O Manchester City me deu tudo. Eu tentei devolver o máximo que eu pude. O quão frequente alguém tem a chance de terminar um capítulo tão importante, representando um clube com uma grande história e tradição, de uma maneira tão boa?”, continuou o belga.

“O legado que ele deixa para trás é enorme, não apenas para o City e para a Premier League, eu acho que todo mundo deveria admirar o que ele fez pelo futebol inglês”, disse Kevin De Bruyne, companheiro de City e também de seleção belga. Kompany talvez seja o jogador que melhor simboliza a transformação pela qual o Manchester City passou nos últimos 10 anos. Ele esteve presente durante todo esse tempo.

Será um enorme desafio para ele ser um jogador e treinador ao mesmo tempo, algo que era usual nas primeiras décadas do futebol, especialmente na Inglaterra, mas que se perdeu ao longo dos anos. A alta intensidade do jogo e a demanda alta, de treinadores e jogadores, faz com que seja cada vez mais raro. Nas grandes ligas, isso já não acontece mais. A última vez na Premier League foi quando Ryan Giggs assumiu interinamente o cargo de técnico nas rodadas finais da Premier League após a demissão de David Moyes no Manchester United. Ele, porém, jogou pouco: só 20 minutos em um jogo contra o Hull, em casa.