Inicialmente a ideia era reestruturar o jogo para uma maneira mais solta de atuar. Isso falhou, houve a tentativa de voltar à solidez defensiva característica dos últimos anos, e isso também falhou. O Atlético de Madrid de Diego Simeone enfrenta dificuldades em 2019/20, temporada em que deveria estar dando um importante passo à frente. Mas, para Koke, um dos líderes do grupo, é preciso ter paciência com o que ele define como um momento de transição.

Em entrevista ao jornal Marca, Koke falou sobre a decepcionante campanha dos Colchoneros. Reconheceu o nível abaixo do esperado, atribuiu parte dos insucessos ao azar da bola que não entra, mas enxergou uma razão para as dificuldades: muitos jogadores novos chegaram, e é preciso tempo para encaixar todas as peças.

Diante dos resultados, só menos frustrantes do que o desempenho demonstrado em campo, Simeone tem sido alvo de muitas críticas e conversas sobre possivelmente a sua era estar chegando a um fim. Para Koke, no entanto, o chefe fez o bastante nos últimos anos para merecer maior paciência de torcida, imprensa e dirigentes.

“Acho que as pessoas ficam cansadas de ver as mesmas caras. O professor deu tudo de si pelo Atlético e vai continuar fazendo isso. No final, temos de respeitar o trabalho. Há novos jogadores, e temos de nos adaptar à filosofia do treinador. De como ele joga e compete. Como qualquer trabalho, é preciso ser paciente. O Simeone mereceu (essa paciência) por tudo o que fez durante todos estes anos”, defendeu.

Como resultado direto do trabalho realizado na última década, o Atlético de Madrid, com estádio novo e dinheiro em caixa, desembolsou uma fortuna para contar com João Félix: € 126 milhões em um garoto de apenas 19 anos. O português foi uma das oito contratações feitas pelos Colchoneros, que pagaram ainda € 20 milhões em Renan Lodi e outros € 20 milhões em Felipe, e mais € 77,5 milhões em Marcos Llorente, Mario Hermoso, Kieran Trippier, Ivan Saponjic, além de Héctor Herrera, que chegou depois do fim de seu contrato no Porto. Um total relevante de € 243,5 milhões.

Essa gastança não é característica do Atleti e tem seu enorme peso na equação de decepção do time na temporada, e João Félix, inconstante e sofrendo com lesões, acaba virando o rosto que representa este investimento pesado. Koke, por sua parte, acha que também é preciso paciência com o português, apontando ex-companheiros de Atleti em seus primeiros meses no clube.

“Já joguei com grandes jogadores no Atlético e na seleção. Ele tem que se adaptar ao grupo pouco a pouco. Quando ele estava em seu melhor momento, ele se machucou, então voltou e se machucou novamente. Tem que ser paciente. Você não se adapta da noite para o dia. Aconteceu com Griezmann, com Kun (Agüero)… Tenho certeza de que vamos ver o João que todos queremos ver.”

Questionado sobre o valor altíssimo de Félix, valorizou o companheiro de equipe: “Você sai caro se for um craque como o João. Pouco a pouco, se constrói o jogador que todo torcedor do Atlético ou do futebol quer ver. Ele não pode resolver todos os problemas. O Antoine demorou vários meses (para se adaptar)”.

Apesar de pregar paciência com o momento do clube, Koke entende a urgência de se conseguir os resultados necessários para estar na próxima Champions League e seguir sendo um lugar interessante para jogadores de alto nível. “Restaram poucos dessa época de títulos. Temos que construir outro grupo forte, vamos fazendo isso pouco a pouco. Este ano é de transição, temos que ir bem na Liga dos Campeões e em La Liga para podermos manter os jogadores que temos”, alertou.

Diego Costa, por outro lado, é alguém que fez o caminho contrário e retornou ao Atleti há uma temporada e meia. Entretanto, não encontrou o mesmo sucesso de antes, muito por causa de problemas físicos. Koke acredita que, se o brasileiro estiver bem, pode ter uma contribuição importante.

“Desde a sua volta, ele tem feito grandes jogos e outros não tão bons por causa de lesões. Ele não teve sorte. Precisamos do melhor Diego Costa, e ele está se colocando em forma. A questão das costas é delicada. Ele ficou muito tempo parado, e temos de ser pacientes.”

Enquanto as respostas mais elaboradas aos problemas dos Colchoneros não vêm, a solução é levar a campo a fome por grandes atuações dos melhores anos sob Cholo. “No fim, é verdade que não estamos acostumados a esta situação. Temos que jogar cada partida como uma final, como neste sábado (7), em que o jogo com o Sevilla é uma final. A Champions passa por jogar contra rivais diretos, como Real Sociedad, Getafe… Temos que passar por eles, sim ou sim.”

O Atlético de Madrid é, hoje, o quinto colocado de La Liga, com 44 pontos em 26 rodadas – mas ainda pode ser ultrapassado pela Real Sociedad, que tem um jogo a menos e 43 pontos conquistados. Sevilla (46) e Getafe (45) ocupam a terceira e a quarta colocações, enquanto o Valencia, em sétimo, tem 41.

A briga segue muito acirrada por duas vagas na Liga dos Campeões, e ver os jogos restantes como decisões não é exagero algum de Koke.