Koeman defende Messi depois de Setién dizer que é difícil treinar o argentino: “Respeito o que ele viveu, mas discordo”

Em uma entrevista recente de bastante repercussão na Espanha, Quique Setién, ex-treinador do Barcelona, falou sobre seu período curto no clube e criou polêmica ao dizer que era difícil treinar Lionel Messi, devido ao status do jogador como “o melhor da história”. Atual técnico do Barça, Ronald Koeman saiu em defesa de seu comandado em entrevista coletiva de pré-jogo para o duelo com o Dínamo de Kiev, pela Champions League.

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O neerlandês exaltou a competitividade de Messi, seu desejo de vencer e seu papel de liderança no conjunto blaugrana, como capitão da equipe. Garantiu ter abertura para conversar com o argentino e, por fim, discordou da posição de Setién, ainda que tenha afirmado respeitar a experiência do colega de profissão.

“É preciso respeitar todas as opiniões. Vejo sua ambição e seu caráter vencedor todos os dias. É um jogador muito, muito bom, o melhor do mundo. Não é um jogador difícil de treinar, é o capitão. Todas as semanas, falo com ele sobre coisas do campo, do vestiário, para ter uma boa relação. Discordo (do que Setién disse), mas respeito o que ele viveu”, comentou Koeman.

Em entrevista ao El País, publicada no último sábado (31), Setién pegou como parâmetro o comportamento de Michael Jordan, ilustrado pelo documentário The Last Dance, da Netflix, para falar sobre como é difícil treinar figuras tão grandes no esporte.

“Existe outra faceta que não é a do jogador, e ela é mais complicada de gerenciar, muito mais. É algo inerente a muitos esportistas, como se pode ver no documentário do Michael Jordan (The Last Dance). Você vê coisas que não espera”, revelou.

Setién afirmou que Messi não é muito de falar, mas deu a entender que seus olhares revelam bastante. Sem ser direto, indicou que o argentino teria um status de tratamento acima da instituição, algo com que não concorda.

“Ele é muito reservado, mas te faz ver as coisas que ele quer. Não fala muito. Sim, olhar ele olha. Depois de partir, o que continua claro para mim é que, em determinados momentos, tinha que ter tomado outras decisões. Mas há coisas que estão acima de você: o clube. Coisas que estão acima do presidente, do jogador, do treinador. É o clube e os torcedores. É a eles que você deve o maior respeito, e é preciso fazer o que é mais conveniente para a entidade. Existem milhões de pessoas que pensam que Messi, ou qualquer outro jogador, é mais importante que o clube e o treinador. Este jogador, como outros a seu redor, viveram durante 14 anos ganhando títulos, ganhando tudo.”

“É verdade que existem jogadores que não são fáceis de gerenciar. Entre eles está Leo, é verdade. Também é preciso levar em conta que ele é o melhor jogador de todos os tempos, e quem sou eu para mudá-lo? Se o aceitaram ali como ele é durante todos esses anos e não o mudaram…”, completou o treinador.

Ao longo dos sete meses em que esteve no comando do Barcelona, Quique Setién viu seu nome envolvido em rumores de desentendimentos com Lionel Messi. As histórias não são confirmadas oficialmente, mas a última delas dá conta de que o vestiário barcelonista teria ficado insatisfeito com as escolhas táticas do técnico e que o argentino teria sido um crítico vocal do comandante. A rádio SER Catalunya chega a narrar um episódio que teria ocorrido em junho deste ano, após empate entre Barcelona e Celta de Vigo, em que Setién teria respondido a Messi, dizendo: “Se não te agrada aquilo que disse, já sabe onde é a porta”.

Setién acabou demitido menos de dois meses depois, embora seja difícil apontar uma possível desaprovação de Messi como o motivo. Afinal, sob o comando do técnico, o Barça sofreu a mais pesada derrota de sua história: o 8 a 2 para o Bayern de Munique nas quartas de final da Champions League passada. Aquele resultado foi o catalisador imediato da saída do já contestado treinador.