O Everton tem se mantido consistentemente na parte de cima da tabela da Premier League, com exceção da última temporada, quando foi 11º, apesar de ter pouco dinheiro para gastar. Uma estabilidade interessante para o clube, mas que deixa a torcida um pouco frustrada. Quer dar o passo à frente. A chegada do novo acionista majoritário Farhad Moshiri promete um orçamento de transferências mais robusto, e o homem escolhido para investi-lo é o técnico Ronald Koeman.

LEIA MAIS: West Ham leva Feghouli de graça e vem se especializando em fazer bons negócios

Koeman falou à imprensa oficialmente como treinador do Everton pela primeira vez, neste domingo, e confirmou que terá dinheiro para ir ao mercado. Isso já é uma mudança de filosofia no clube de Liverpool, que costumava disponibilizar pouco mais do que a renda que recebia pela venda de jogadores. “Há um orçamento, claro, e se concordarmos que precisamos de melhores jogadores – ou que precisamos de jogadores em diferentes posições – vamos trabalhar nisso. Mas isso é apenas depois de sabermos o que existe na equipe do Everton”, disse.

A imprensa inglesa fala em um orçamento na casa dos £ 100 milhões, equivalente a € 127 milhões, o que seria, com folgas, o maior mercado da história do Everton. Maior que as últimas três temporadas juntas, aliás, quando já houve mais despesas que receitas no mercado de transferências, principalmente com a compra de Romelu Lukaku por € 35 milhões, o maior investimento que o clube já fez em um único jogador.

Roberto Martínez gastou aproximadamente € 110 milhões nas suas três temporadas à frente do Everton, o que representa um significativo prejuízo para os padrões do Everton, mesmo com a venda de Fellaini para o Manchester United. É um luxo que David Moyes nunca teve. A única vez que o escocês gastou consideravelmente mais do que arrecadou foi na temporada em que disputou a Champions League, em 2005-06. Prejuízo de € 35 milhões.

Esse também foi um caso raro em que o Everton conseguiu segurar seus principais jogadores, outra importante missão de Ronald Koeman, diante dos assédios em cima de Lukaku, Barkley e John Stones. “Eu tenho essa experiência. Nos últimos dois anos, houve muito interesse em meus jogadores. Como todo mundo, quero manter esses jogadores-chave porque você não vende seus melhores jogadores. Mas tudo depende das reuniões que vou ter com esses jogadores. Vou conversar com vários. Lukaku é um jogador-chave, artilheiro, e você não quer vender seus melhores jogadores. Se puder fazer algo sobre isso, vou fazer”, disse.

Koeman parece mesmo ser o cara certo para o trabalho, com a experiência do que fez à frente do Southampton. Chegou em 2014, depois que os Saints surpreenderam com um ótimo oitavo lugar na Premier League. Os grandes fizeram a rapa: Luke Shaw, Adam Lallana, Dejan Lovren, Calum Chambers e Rickie Lambert foram embora. Ele teve, como deve ter no Everton, bastante dinheiro à disposição e gastou com sabedoria. Trouxe Graziano Pellè, Sadio Mané, Dusan Tadic e Fraser Foster. Mesmo perdendo Schneiderlin e Clyne no meio do caminho, melhorou a posição do time, que já havia sido ótima. Foi sétimo e sexto colocado nos campeonatos seguintes.

Não conseguiu segurar todo mundo no Southampton, como a torcida do Everton gostaria que ele fizesse, mas conseguiu manter – e até melhorar – o nível da equipe, reinvestindo o dinheiro que recebeu. Com o orçamento que será fornecido pelo novo dono do clube de Liverpool, eventuais vendas que sejam inevitáveis mais a base da equipe que já existe, ele tem os predicados para repetir o bom trabalho em Goodison Park.