Sadio Mané e Mohamed Salah, além de Naby Keita, são importantes jogadores do Liverpool e têm em comum serem cidadãos de países africanos. Logo, Jürgen Klopp não ficou nem um pouco satisfeito quando descobriu que a Copa Africana de Nações voltará a ser disputada em janeiro ano que vem, muito provavelmente desfalcando o Liverpool e outras equipes por aproximadamente seis semanas.

A justificativa oficial para modificar novamente a data da CAN, que ano passado foi disputada em junho, ao fim da temporada europeia, alinhada com outros torneios de seleção, são as condições climáticas desfavoráveis de Camarões no meio do ano, especificamente o excesso de chuvas, mas também há a suspeita de que a Fifa não quer que a competição entre em conflito com o seu novo Mundial de Clubes, que será na China, naquela mesma época.

Klopp chegou a dizer que a decisão pode até mesmo influenciar a política de transferências do Liverpool daqui para frente. “A Copa Africana de Nações voltar para janeiro é, para nós, uma catástrofe”, disse. “Não venderemos Sadio, Mo ou Naby agora porque eles têm um torneio em janeiro e fevereiro, claro que não, mas, se tivermos que tomar uma decisão sobre trazer um jogador, é um fator importante, porque, antes da temporada, você sabe que passará quatro semanas sem eles. É um processo normal e, como clube, temos que pensar nisso”, disse.

O treinador alemão é um habitual crítico do excesso de jogos do calendário inglês e não segurou as críticas em relação à Copa Africana de Nações também. “É a maior perda de tempo. ‘O Reclamão de Liverpool’ ou o que quer que seja. Enquanto nada mudar, eu direi o tempo todo. Porque é sobre os jogadores, nem um segundo sobre mim. Há muitas coisas para resolver, mas todos esses caras não conseguem encontrar tempo para sentar em uma mesa e fazer um calendário geral. Todos esses jogos e nenhum descanso para os jogadores”, afirmou.

Klopp também reclamou do pouco poder de decisão que os clubes têm sobre seus jogadores quando o assunto é seleção. “Eu não poderia respeitar mais a Copa Africana de Nações porque eu gosto da competição e a vi bastante no passado. É um torneio muito interessante. Mas é um problema óbvio ter um torneio no meio da temporada, embora faça mais sentido para a África jogar no nosso inverno quando o clima é melhor para eles, eu entendo isso”, disse.

“Mas não temos nenhum poder. Se dissermos ‘ele não vai’, o jogador é suspenso. Se um jogador estiver machucado e não puder jogar pelo nosso time, temos que enviá-lo à África para que eles o avaliem e em uma ou duas semanas eles retornam. Hoje em dia não devia ser assim”, encerrou.

Ano passado, Sadio Mané jogou a final da CAN por Senegal em 19 de julho e, menos de um mês depois, em 9 de agosto, defendeu o Liverpool contra o Norwich na primeira rodada da Premier League. Não foi tão diferente com os brasileiros Alisson e Roberto Firmino, que tiveram menos de um mês para férias e pré-temporada entre a decisão da Copa América e a Supercopa da Inglaterra.