Foi em outubro que a história do Liverpool começou a mudar. Depois de anos difíceis, fora da Champions League, fora da briga pelos principais títulos, com exceção de uma temporada, Jürgen Klopp foi contratado para substituir Brendan Rodgers e injetar esperança em uma torcida apaixonada. Faz três anos e, até agora, a seca de troféus dos Reds ainda não chegou ao fim. Mas o técnico alemão tem certeza que logo mais chegará. 

“Não faço ideia quando ganharemos alguma coisa, mas tenho certeza que este clube ganhará”, afirmou, em longa entrevista ao site Joe, fazendo um balanço dos seus três anos à frente do segundo maior campeão inglês. “Se alguém quiser me julgar pelos últimos três anos, eu sei o que as pessoas estão dizendo e é verdade. Eu perdi as minhas últimas seis finais (três com o Liverpool: Copa da Liga, Liga Europa e Champions League). Não é algo legal, mas você pode ver por dois pontos de vista”.

“Sim. Perdemos. Mas, ao mesmo tempo, chegamos a elas. Isso não é legal, mas, na maioria dos esportes, segundo lugar é ok. Se você for à Olimpíada e voltar com uma medalha de prata, ainda é algo, mas, no futebol, não é nada. Não é nada para mim também. Quero vencer e sei que essa é minha responsabilidade. Ninguém quer olhar para trás, daqui a 10 ou 20 anos, e dizer ‘então, a melhor época que tivemos sem ganhar nada foi quando Klopp estava lá. Era tão engraçado e tudo mais’. Ainda temos tempo de fazer algo especial e eu sei que para sublinhar nossa melhora, precisamos fazê-lo”, completou.

Klopp, porém, sabe o quanto é difícil. O Liverpool melhorou visivelmente sob o seu comando, conquistando duas vagas seguidas na Champions League e alcançando a final de Kiev, no último mês de maio. No entanto, as outras equipes não param no tempo. “Se você pensar, estamos no nosso melhor momento em muito tempo, mas alguns outros clubes também estão e deram os mesmos passos. Parece que estamos em um bom caminho e a única coisa que posso garantir é que vamos continuar a nos desenvolver. Nosso probleminha é que muitos outros clubes se desenvolvem também, então nunca é que você melhora 20% e os outros ficam 20% mais fracos. Eles tentam fazer o mesmo e chegar ao próximo nível. Esse é o desafio. É interessante, mas difícil”, analisou.

O treinador chegou ao Liverpool tentando converter “céticos em fiéis” e prometendo nada mais que trabalho duro para, em alguns anos, conquistar algum troféu importante. Em termos mais específicos, tentou unir o grupo o mais rápido possível e restaurar a confiança dos jogadores, que ele julgou abalada naquele momento. Ninguém acreditava que o Liverpool tinha um grande time, além de Klopp.

Passou seus conceitos principais escrevendo na lousa a palavra TEAM, time, em inglês. “Eu disse que ‘T’ é de terrível de enfrentar – eu infelizmente não tinha uma palavra melhor. E não tenho ainda. ‘E’ de entusiasmo, ‘A’ de ambição e ‘M’ de máquina de mentalidade forte (nota do editor: ele provavelmente não tinha uma palavra melhor para o M também). Às vezes, somos exatamente isso. Podemos ser adversários terríveis de enfrentar, temos esse estilo – meio louco, se você quiser – com organização. Temos certeza que estamos muito entusiasmados e ambiciosos e nos tornamos mais fortes mentalmente. Praticamente todos meus jogadores trabalham como máquinas, então eu tenho o que quero”, disse.

A ideia de Klopp era tirar um ano sabático quando deixou o Borussia Dortmund, após 14 anos sem descanso trabalhando como treinador. Queria quatro meses para fazer “absolutamente nada” e o resto para observar o trabalho de outros técnicos porque nunca conseguiu fazer isso: afinal, era jogador um dia e treinador no dia seguinte. Mas, quando o Liverpool ligou, não houve como recusar. Trabalhar em outro país, ainda mais em um clube com a aura dos Reds, era uma proposta irrecusável.

“Eu realmente queria uma mudança depois de 14 anos na Alemanha, onde eu sabia tudo, conhecia cada time”, afirmou. “Se você me perguntasse sobre um time da quinta divisão, eu poderia dar o nome de pelo menos quatro dos seus jogadores. Então, eu vim para a Inglaterra e tudo era novo. Sim, eu assistia ao futebol inglês, mas estava ocupado na Alemanha com a minha liga e com a Champions League. Aqui, enfrentamos um clube, como o Hull, por exemplo, e eu não conhecia um jogador”, admitiu.

Isso já está bem melhor, assim como o Liverpool. Depois de uma temporada devastadora no ataque, mas com problemas na defesa, o time parece mais equilibrado. São nove partidas seguidas na Premier League sem sofrer gols.

“Eu sei o que as pessoas pensam sobre Virgil Van Dijk. Ele é um garoto fantástico e um jogador de primeira linha, mas ele não resolveu nossos problemas defensivos sozinho. Futebol não funciona assim. Da mesma maneira, Alisson não pode ficar 500 jogos sem ser vazado sozinho. O jogo não torna isso possível. Nosso processo é passo a passo. Você não pode dar um livro para todo mundo e escrever nele todas as suas exigências, os jogadores lerem e imediatamente entenderem. Você tem que sentir, tem que repetir várias vezes no treinamento e se acostumar a isso. No momento, temos um time de futebol realmente muito bom”, encerrou.