A experiência do VAR na Premier League possui pontos positivos e negativos, como em outros tantos cantos do mundo. No entanto, impressiona como a tecnologia se torna assunto ao final de cada rodada na Inglaterra. Nem mesmo quando a arbitragem acerta, o auxílio do vídeo deixa de ser tratado como “controvérsia”. E, neste domingo, o Liverpool dependeu do VAR em dois lances capitais. O gol da vitória por 1 a 0 sobre o Wolverhampton só foi validado após consulta, enquanto o empate dos Lobos em Anfield seria anulado por um impedimento milimétrico.

Depois da partida, Jürgen Klopp falou sobre o assunto. E sua insatisfação não se concentrava exatamente sobre a interferência da tecnologia. O alemão questionou a demora dos árbitros e a insistência dos ingleses ao não permitirem a consulta do juiz principal ao monitor – algo vigente em todo o mundo, mas evitado a todo custo na Premier League justamente em nome da ‘agilidade no processo’.

“Estamos em dezembro, chegando em janeiro. Os jogadores permanecerem parados por tanto tempo não é bom. Eu preferiria que os árbitros fossem à tela conferir os lances, porque ela fica diretamente ao nosso lado e nunca é usada, não sei exatamente o porquê. Se for um impedimento de poucos centímetros, eu entendo isso. Mas, com um possível toque de mão, não há razão para não olharem a jogada. Teria sido mais rápido se ele fosse à tela, mas é assim que fazemos na Inglaterra e não podemos mudar isso”, analisou Klopp.

Nuno Espírito Santo foi mais um a protestar quanto à maneira como o VAR foi conduzido em Anfield neste domingo. Por mais que possa se discutir os detalhismos das regras, a tecnologia acertou em suas decisões, dentro dos parâmetros estabelecidos. O português, ainda assim, reclamou da condução da partida.

“Não quero mais falar sobre o VAR. Não gosto de ver decisões sendo tomadas por árbitros a milhas de distância. Um árbitro nesta situação não sente o jogo como alguém presente em campo. Sou treinador, não cabe a mim dizer como as coisas podem ser melhoradas, mas acho uma pena quando isso acontece entre dois times fantásticos, em um estádio fantástico. Nós deveríamos buscar um futebol fantástico, uma diversão fantástica, não deveríamos comemorar um não-gol”, apontou.

Espírito Santo recebeu cartão amarelo por reclamar do VAR. Além disso, Klopp avaliou que o Wolverhampton cresceu após os lances, ao pensar que “todo mundo no estádio estava contra eles”. Com a vitória, o Liverpool manteve os 13 pontos de vantagem sobre o Leicester, na liderança da Premier League.