Jürgen Klinsmann foi o técnico da seleção dos Estados Unidos por cinco anos e meio. Contratado em 2011, ficou no cargo até 2016, quando o time ia muito mal nas Eliminatórias da Copa. O alemão acabou demitido e a federação do país olhou para o passado na escolha do substituto, que foi Bruce Arena. Foi com ele que veio a derrocada na reta final que levou ao fracasso e ficar fora da Copa 2018.

O alemão acredita que sua demissão – e o consequente fracasso na classificação – levou o país a andar para trás no seu programa da seleção. E foi além: acredita que se tivesse permanecido no cargo, não só classificaria o time, como ainda levaria mais longe do que fez em 2014, quando caiu nas oitavas de final. Atualmente no Hertha Berlim, o treinador falou sobre a seleção dos Estados Unidos em entrevista à ESPN americana.

“O que aconteceu nesses últimos dois anos é muito triste. É muito triste porque o time merecia estar na Rússia. Eles pertenciam à Copa do Mundo. A classificação estava praticamente assegurada e então isso aconteceu, o grande desastre contra Trinidad, que ninguém poderia ter imaginado”, afirmou Klinsmann.

“Então isso fez o programa todo da seleção regredir muitos anos porque agora há uma falta de confiança, há uma falta de entusiasmo, há uma falta de liderança. Então, é um trabalho muito difícil que Gregg Belhater tem em suas mãos para reconstruir um programa inteiro quando nós na verdade estávamos em uma boa posição”, afirma, em relação a como estava a seleção americana quando ele era o técnico.

“Como eu disse, eu teria levado o time na Rússia às quartas de final, talvez até à semifinal, porque havia um bloco em construção lá e havia um plano para isso e o plano foi interrompido e foi ainda mais interrompido quando os Estados Unidos não se classificaram para a Copa do Mundo na Rússia”, disse Klinsmann. “Então, espero que eles voltem aos trilhos e eu mantenho meus dedos cruzados para Gregg, que ele consiga todo apoio que ele precisa para colocar as coisas no caminho certo”.

O técnico voltou a enaltecer os próprios feitos à frente da seleção dos Estados Unidos, lembrando o que o time alcançou enquanto ele estava no comando da equipe. “Nós nos classificamos no grupo da morte no Brasil, o que ninguém jamais esperava”, disse o alemão. “Nós fomos até a semifinal da Copa América em 2016. Eu ajudei, eu não sei quantos jogadores a irem para a Europa para provarem a si mesmos. Alguns conseguiram, alguns voltaram para a MLS, o que não é motivo para se envergonhar”.

Um dos jogadores americanos que faz sucesso no Europa é Christian Pulisic. Formado na Alemanha, pelo Borussia Dortmund, o jogador se transferiu nesta temporada para o Chelsea. Depois de um início turbulento, o americano já se tornou um jogador importante nos Blues. “Eu acho que ele está muito bem neste momento, acho que ele está crescendo como pessoa”, afirmou Klinsmann.

“Você tem que pensar sobre o fato de ser um garoto jovem que, ainda muito novo, mudou para Dortmund. Sim, a família estava com ele, mas você está em um país diferente, com uma língua diferente e um clima diferente”, continuou o técnico. “Ele se estabeleceu no time principal em uma velocidade que foi de virar a cabeça e você fica tonto. Ele entrou no time principal dos Estados Unidos quando eu era o técnico e agora veio o próximo grande passo”.

“Não há muitas pessoas que fazem uma mudança como esta e agora levará algum tempo para ele se adaptar, conhecer seus companheiros, conhecer a comissão técnica, conhecer a cidade e todas essas coisas”, afirmou ainda treinador do Hertha Berlim.