Pergunte a Kleber Gladiador quais são seus ídolos de infância e você ouvirá o seguinte:

“Ah, eu sempre gostei do Edmundo, o Edmundo é um cara que sempre gostei muito. O Djalminha. Foram caras que… Neto, do Corinthians, Viola, do Corinthians, são caras que eu admirava pela postura em campo, falavam o que realmente pensam, hoje dá muito mais proporção que antigamente. O Ronaldo, goleiro”.

Na noite anterior ao dia em que encontrei Kleber para uma entrevista, na véspera do jogo contra o Fluminense, ainda neste mês, o atacante do Grêmio havia se encontrado com Edmundo e Djalminha próximo ao hotel em que se concentrava, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ao lado de seu empresário, Giuseppe Dioguardi. Os outros três personagens citados por ele são todos ligados ao Corinthians. Coincidência? Nem tanto. O Gladiador sempre torceu pelo Corinthians. Hoje, menos. Antes, mais. Não tinha como fugir disso, me explicou. “Sempre que estou em casa (com a minha família), você acha que a gente conversa sobre o quê? Corinthians. Todo mundo corintiano”.

O vice-artilheiro tricolor na temporada anda distante da imprensa, das entrevistas, das polêmicas. E por uma escolha sua. Queria ficar sossegado em sua nova casa, em Porto Alegre. Abriu uma exceção para receber o blogueiro cerca de duas semanas atrás e falou um pouco mais sobre a sua relação com o Corinthians e a torcida pelo time no Mundial de Clubes. A entrevista na íntegra você confere na edição de aniversário da revista ESPN, que chega às bancas do Brasil a partir da próxima semana. Lá ele fala de vários outros assuntos, como a relação com Luxemburgo, o que faria se tivesse de trabalhar com Felipão novamente e a adaptação a Porto Alegre.

Como corintiano, vai torcer para o Corinthians ser campeão mundial?

Eu torço pelo Corinthians ser campeão mundial. Pelo clube, mais de cem anos, a história do Corinthians, time organizado. Você acaba torcendo para um monte de amigos também, amigos que eu gosto no Corinthians. Fiz a base com o Fábio Santos, o Alessandro joguei no Dínamo Kiev, o Douglas, que era do Grêmio. Você torce para os caras ganharem.

A sua relação com o Corinthians surgiu quando?

Ah, sempre torci pelo Corinthians desde criança, é o time que, na minha casa, todo mundo gosta, tirando minha mãe, palmeirense. Meus irmãos todos corintianos, meu pai corintiano. O meu pai é corintiano até de frequentar estádio. Lógico que, quando você começa a jogar, você perde um pouco isso, esse negócio de torcer. Começa a torcer pelos seus amigos, o clube que você está dentro. Hoje, estou muito feliz aqui no Grêmio, quero ver o Grêmio sempre campeão, lutar para isso. O Corinthians, assim, nasci vendo o Corinthians jogar, morava com meu pai, tenho um carinho pelo Corinthians.

Dá para manter a paixão de antigamente como jogador profissional?

Não dá para ter, não tem como. Você tem a paixão pelo clube de criança e depois vai jogar no Palmeiras. Eu não gostaria de ver o Palmeiras na segunda divisão. Tem pessoas que eu gosto. Num rebaixamento, todo mundo é punido. No São Paulo, por exemplo, tem também o Rogério Ceni, que é uma pessoa que eu gosto muito, apesar de não falar tanto com ele. Me ajudou muito quando estive no clube, gosto demais, sempre que jogo  contra a gente conversa um pouco ali. Então, você torce um pouco pelas pessoas e acaba perdendo um pouco da paixão clubística, mas eu gosto do Corinthians, vejo os jogos às vezes, meu pai me liga para falar. Então, sempre que a gente está em casa, você acha que a gente conversa sobre o quê? Corinthians. Todo mundo corintiano. Mas não tenho mais tanta ligação.