Kiyomi Fujiwara Nakamura é uma das personagens mais queridas no ambiente ao redor da seleção brasileira. A repórter japonesa cobre os jogos e treinos da equipe nacional como correspondente da TV Fuji, em trabalho iniciado durante a Copa do Mundo de 1998, por conta da presença de Zico na comissão técnica. A enviada mora no Brasil há mais de 15 anos e já se aclimatou totalmente ao país – adotou o Flamengo como seu clube e se diz apaixonada por samba. E se a figura da jornalista se tornou célebre principalmente nas perguntas a Felipão às vésperas da Copa do Mundo de 2014, nesta terça-feira ela também representa bastante às lutas das mulheres. Ela se tornou a primeira jornalista mulher a trabalhar no Estádio King Abdullah, em Jedá, na Arábia Saudita.

A informação foi repercutida pelo repórter João Castelo Branco, de acordo com a organização do evento e do estádio. O Estádio King Abdullah é relativamente novo, inaugurado em maio de 2014. De qualquer maneira, o pioneirismo de Kiyomi significa ainda mais ao cenário de limitações às mulheres no regime saudita, mesmo as estrangeiras. Nos últimos meses, a ditadura local concedeu algumas aberturas, inclusive ao romper a proibição a mulheres nos estádios de futebol locais – embora tenha criado espaços específicos e segregados para isso. Todavia, as críticas ao poder local são bem mais amplas e atingiram a CBF.

O histórico de atrocidades relacionados ao governo da Arábia Saudita também inclui bombardeios no Iêmen, assim como crimes contra a humanidade no território vizinho, e o apoio a jihadistas. Já nos últimos dias, a perseguição a opositores evidenciou a barbárie, diante do desaparecimento de um jornalista dissidente no consulado saudita de Istambul. A ditadura é acusada de assassinar o repórter. Há imagens que mostram sua entrada no prédio público, mas não a sua saída, e existem suspeitas de que ele tenha sido esquartejado no local.

Por conta do possível crime, alguns jornalistas se recusaram a cobrir os jogos da seleção brasileira na Arábia Saudita – a exemplo de Fernando Kallás, correspondente do diário AS. Nem todos tiveram essa opção de escolha, vale dizer. De qualquer forma, a presença de Kiyomi e a mera “novidade” que é sua presença acaba ampliando uma discussão pertinente, que vai além do fato.


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