Apenas Sadio Mané, que para muita gente merecia um lugar mais alto no ranking da Bola de Ouro da France Football do que seu quarto lugar, está hoje acima de Kevin De Bruyne na Premier League. Com quatro meses passados da atual temporada, é possível dizer que o belga está de volta ao melhor do seu nível. Ao conduzir a vitória por 3 a 0 sobre o Arsenal com dois gols e uma assistência – sua melhor atuação individual em 2019/20 ao lado dos shows contra Escócia e Watford em setembro –, o meia sublinhou isso.

Depois de uma temporada mágica em 2017/18, em que somou oito gols e 16 assistências só na Premier League, De Bruyne não conseguiu dar sequência ao excelente trabalho por causa de duas lesões quase seguidas na primeira metade da temporada 2018/19. Só naquele início de campanha, ficou de fora de 21 jogos do Manchester City. Quando esteve em campo na temporada passada, teve momentos reminiscentes de sua campanha anterior, mas não chegou perto da mesma consistência.

Agora, no entanto, parece plenamente recuperado dos problemas de ligamento e musculares que lhe afligiram no ano passado. Em apenas 21 jogos em 2019/20, já igualou seus números de 2018/19: seis gols e 11 assistências pelo City – sem falar nos três gols e seis assistências em apenas quatro jogos pela seleção belga.

Em seu jogo de maior brilho pela Bélgica em 2019, De Bruyne deu três assistências e fez um gol no 4 a 0 contra a Escócia em Glasgow, pelas Eliminatórias da Euro 2020

Das 17 rodadas disputadas até agora pelo Manchester City na Premier League, De Bruyne participou de 16. Nessas, acumulou seis gols e dez assistências. Em sua temporada de maior número de passes para gol, 2016/17, somou 18 assistências. Na campanha seguinte, teve seu maior número de gols em uma edição do Campeonato Inglês: oito.

Com o trabalho atual, está em um bom ritmo para alcançar e até mesmo superar seu recorde pessoal de assistências. Ou, por que não, o de toda a história da Premier League, que pertence a Thierry Henry. Na temporada 2002/03, o francês deu 20 passes para gol a seus companheiros.

“Ele vê passes e ações que seres humanos normais não conseguem ver, tem uma visão especial. Eu dizia a ele: ‘Você tem que marcar mais gols’, falamos disso. E hoje (domingo) ele marcou dois gols incríveis e deu uma assistência para o Raheem (Sterling).” – Pep Guardiola

Acrescentando uma faceta goleadora ao seu futebol, já está a dois gols de sua melhor marca em uma só Premier League, e não chegamos sequer à metade da competição. O palco dos dois últimos gols e a beleza do tento contra o Newcastle, que lhe rendeu o prêmio de gol mais bonito de novembro, tornam ainda mais especial este começo de temporada a De Bruyne.

Aos 28 anos de idade, o meia entrou nesta temporada cercado de expectativas – não menos as suas próprias. Seu melhor ano na carreira foi seguido de outro quase perdido por lesão, e 2019/20 seria a síntese dessa história e uma indicação de qual direção o jogador tomaria. Ele voltou, então, com o melhor que pode mostrar.

Independentemente de por quanto tempo ainda consiga atuar no nível que temos visto desde o começo da temporada, o belga já fez por merecer ser colocado entre os grandes a abrilhantar a Premier League com o seu futebol. Nos anos e décadas após deixar o Manchester City, terá seus lances reprisados frequentemente – e tem feito o bastante para ter um bocado de minutos de 2019/20 na compilação final.