Entre os desgastes que atrapalharam o ambiente do Chelsea nesta temporada e geraram questionamentos sobre o que também acontecia em campo, o principal foi protagonizado por Kepa Arrizabalaga. A insurgência do goleiro na final da Copa da Liga Inglesa provocou uma enorme celeuma sobre sua postura, ao recusar a substituição antes da disputa por pênaltis. Menos de três meses depois, o basco recuperou o seu moral com os Blues e acumula boas atuações. Para, nesta quinta-feira, se tornar herói exatamente nas penalidades. Chelsea e Eintracht Frankfurt fizeram um jogaço nas semifinais da Liga Europa, repleto de oportunidades. O empate por 1 a 1 prevaleceu em Stamford Bridge e, repetindo o placar da ida, forçou prorrogação, antes dos pênaltis. Foi então que o arqueiro demonstrou sua evolução. Pegou duas cobranças e, de virada, garantiu a vitória dos londrinos por 4 a 3. Agora, o clube promete uma final de peso contra o Arsenal, em Baku.

Empurrado pela torcida, o Chelsea saiu para o jogo tentando controlar as ações. Os Blues se postavam no campo de ataque e rondavam a área adversária, sem tanto sucesso. E o Eintracht Frankfurt deixava claro que não seria um mero espectador em Londres. Aos 15 minutos, Danny da Costa arrematou de primeira e obrigou Kepa Arrizabalaga a realizar uma defesaça. Mesmo mais contidos atrás, os alemães têm suas virtudes nos contragolpes.

Porém, a partir dos 20 minutos, o jogo ficou favorável ao Chelsea. As investidas pelos lado do campo começaram a dar resultado. Kevin Trapp fechou o ângulo de Olivier Giroud e Makoto Hasebe salvou bem em cima da linha uma cobrança de falta fechada. O gol, de qualquer forma, não tardaria. Aos 29, Hazard recebeu na esquerda e limpou a marcação, antes de entregar um bolão a Ruben Loftus-Cheek. O meio-campista tinha liberdade dentro da área e finalizou cruzado, no canto de Trapp. Embora os Blues não tenham forçado tanto nos instantes anteriores ao intervalo, a impressão era de que a classificação viria sem sobressaltos.

O segundo tempo traria outro Eintracht Frankfurt a campo. Os alemães retornaram com atitude e já empatariam com quatro minutos. Uma jogada que ressalta por que Luka Jovic é tão comentado no mercado de transferências. Após um lançamento ao ataque, o centroavante aparou a bola com o peito, ao melhor estilo do futevôlei. Passou a Mijat Gacinovic, que já devolveu de primeira com uma enfiada de bola precisa. Então, Jovic se desvencilhou de David Luiz e arrancou em direção à meta adversária, apenas para deslocar Kepa.

Giroud tentou responder na sequência, mas o Frankfurt era mais incisivo. O time continuava avançando e Kepa realizou outra defesa aos 15, em batida de Gacinovic. O Chelsea sentiu o momento desfavorável e Maurizio Sarri renovou as energias principalmente de sua linha de frente com as alterações. Nada que tenha gerado tantos resultados. Loftus-Cheek continuava incomodando em Frankfurt e parou em Trapp. No fim, o goleiro ainda faria uma defesa essencial contra Giroud. Mas, embora os Blues apertassem, a atitude das Águias indicava que a prorrogação seria aberta. Com a manutenção do empate, os dois times foram ao tempo extra.

E os 30 minutos a mais guardaram justamente os momentos mais insanos da partida. O Chelsea começou arriscando no início da prorrogação, mas não com o perigo criado pelo Frankfurt. David Luiz precisou salvar uma bola em cima da linha, com um movimento espetacular, após o desvio de Sébastien Haller com a sola da chuteira. Depois, quando o centroavante cabeceou, Davide Zappacosta se tornou o novo herói dos Blues, com outro lance salvo no último momento.

Já o segundo tempo da prorrogação esteve mais para o Chelsea. Emerson poderia ter feito melhor, mas exigiu uma defesaça de Trapp rente ao poste. O goleiro também salvaria o arremate de Zappacosta na entrada da área. E quando estava prestes a falhar, soltando uma bola fácil dentro da área, o arqueiro sofreu uma falta de César Azpilicueta. O defensor até comemorou o tento, mas a arbitragem assinalou a infração pelo tranco sobre o alemão. Ao final, o empate persistiu. Apesar dos ataques bastante ativos, as defesas se sobressaíram. David Luiz e Martin Hinteregger, em especial, fizeram boas atuações.

Já na marca da cal, Kepa demonstrou o quanto treinou ao longo dos últimos meses. O Eintracht Frankfurt começou batendo e converteu com Haller, antes que Barkley empatasse. Kepa tocou o chute de Jovic, mas a bola no cantinho entrou. Não teve a mesma sorte de Trapp, que foi buscar o arremate de Azpilicueta e deixou as Águias em vantagem. De Guzmán e Jorginho acertaram o pé na terceira série, antes que Kepa começasse a desequilibrar. Quando Hinteregger mirou no meio, ele aguardou e fez uma parada peculiar com os joelhos. David Luiz recolocou os Blues em igualdade. E, depois que Kepa também espalmou a finalização de Gonçalo Paciência, Eden Hazard confirmou o Chelsea na final.

A Liga Europa pode não ser o sonho de consumo do Chelsea, mas marca a história do clube nas últimas décadas. O clube possui dois títulos da antiga Recopa Europeia, em 1971 e 1998. Além disso, ergueu a própria Liga Europa em 2013, em uma temporada de recuperação sob as ordens de Rafa Benítez. É a chance de uma taça e de um final positivo à primeira temporada de Maurizio Sarri, ainda mais depois que a vaga na próxima Liga dos Campeões foi assegurada. O clássico com o Arsenal serve de motivação extra.

Enquanto isso, o Eintracht Frankfurt merece ter o seu trabalho reconhecido. Jogou de igual com clubes de ligas maiores e com orçamentos estratosféricos. Derrubou várias camisas pesadas ao longo da caminhada e, se não superou também o Chelsea, foi por meros detalhes. As Águias não ficaram devendo em nada aos Blues. Despedem-se com um time objetivo e competitivo, além de uma torcida fantástica, que marcou a história da competição. E nem tudo está perdido. Ocupando a quarta colocação, a SGE segue brigando por uma vaga na próxima Champions. Poderá ser o reencontro com os grandes do continente e uma valorização de seu momento.