Kasper Schmeichel construiu uma bela história no Leicester. O goleiro, de 32 anos, nasceu em Copenhague, mas sua história está intimamente ligada à Inglaterra. Filho do lendário Peter Schmeichel, que fez história no Manchester United, Kasper iniciou a carreira no outro time da cidade, o Manchester City, em 2005. Depois do City, passou por outros sete clubes antes de chegar ao Leicester em 2011. E foi graças ao dono do clube, Vichai Srivaddhanaprabha. Desde então, se tornou próximo do dirigente tailandês. Em entrevista à Sky Sports, ele contou sobre a sua chegada ao clube até os últimos momentos, quando viu o acidente que matou o dono do Leicester.

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“Se você olhar a minha carreira, eu constantemente tive que provar a mim mesmo e ser comprado com outros. Constantemente ter que provar que eu sou bom o bastante”, disse o goleiro. “Então vem um cara que disse que acreditava em mim desde o primeiro minuto. Ele disse que ele tinha me visto jogar e me deu a plataforma”, afirmou ainda o dinamarquês.

“Eu estou aqui há quase oito anos agora e isso diz muito sobre a estabilidade aqui e a crença que ele teve em mim. Vir de nove clubes a estar em um clube, eu estava procurando por alguém que acreditasse em mim, ele e sua família acreditaram”, continuou.

“É muito fácil ser pego nesse mundo de dinheiro, fama e fortuna. Ele é um cara que fez tudo isso e não se importa. Ele só se importa em ajudar as pessoas”, afirmou ainda Schmeichel. “Isso diz sobre o homem que ele era. Ele não precisava comprar um clube de futebol. Isso nunca é um bom investimento de negócio”.

“Ele não estava nisso para fazer dinheiro, ele queria dar. Ele tinha uma paixão pelo clube, por Leicester, tudo que ele fez pela cidade – as doações ao hospital e tudo isso. Foi a propriedade feita corretamente. Se você é um torcedor de qualquer clube, esse é o tipo de dono que você quer, o tipo de dono que você sonha em ter”, explicou o goleiro.

Um dos episódios que o goleiro se lembra bem foi quando ele se contundiu. “Quando eu quebrei o meu pé eu tive que ir a Londres e nós estávamos jogando contra o Manchester City na nossa primeira temporada na Premier League”, contou Schmeichel. “Ele foi ao hospital, me pegou e me levou no seu helicóptero de volta para Leicester para assistir ao jogo com ele. Ele não precisava fazer isso, mas ele fez”.

O momento mais triste da história de Schmeichel com Vichai Srivaddhanaprabha foi o dia da morte do dono do Leicester. Schmeichel testemunhou o acidente e correu para tentar ajudar. Ele disse que ainda lembra de cada detalhe daquela noite e imediatamente ele já temeu que o pior pudesse acontecer.

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“Infelizmente, lembro de tudo. Todo pequeno detalhe. Eu tinha família vinda da Dinamarca e os levei para dar uma pequena olhada no estádio e no campo. O helicóptero sempre foi uma grande atração. Nós o cumprimentamos, demos adeus para ele, e nós meio que vimos ele subir. Eu já vi centenas de vezes, era meio que um ritual no final”, contou. “Eu podia dizer que tinha algo errado porque não parecia normal ficar parado daquele jeito. E o que aconteceu foi o que aconteceu”.

“Eu corri para fora do túnel e virei para aquele lado do estádio. As pessoas daquele lado do estádio não tinham visto o que aconteceu. Então, eu saí correndo, gritando para as pessoas chamarem a polícia, um dos nossos seguranças me viu, correu atrás de mim”, contou ainda Schmeichel. “Nós conseguimos chegar perto – o nosso segurança chegou mais perto do que eu e ele tentou entrar e fazer alguma coisa. Mas estava muito evidente pelo calor que não havia nada que ninguém pudesse fazer. E sim, foi horrível, horrível ser tão impotente”.

Aiyawatt ‘Top’ Srivaddhanaprabha, o filho de Vichai, assumiu o posto do pai comandando o clube. Schmeichel acredita que Aiyawatt pode manter o legado da família em Leicester. “Bom, eu não sou de comparar as pessoas aos seus pais. Mas do momento que eu conheci Top, eu sabia que ele era uma pessoa apropriada”, afirmou ele. “E eu não tenho dúvida que ele fará tudo que pode para fazer este clube bem-sucedido – pelo clube, pelo seu pai, por sua família -, é uma paixão para Top tanto quanto era para Khun Vichai.