Do encanto à frustração. O Liverpool que empolgava na Premier League nem parece o mesmo estacionado na tabela. O time de Jürgen Klopp não vem bem nas últimas semanas e só venceu um de seus últimos quatro jogos. Neste domingo, tropeçou novamente: em Anfield, empatou com o West Ham por 2 a 2, após tomar a virada diante de sua torcida. E não adianta reclamar só do ataque, apontar para a ausência de Philippe Coutinho. A defesa tem sido um problema. Em especial, o goleiro Loris Karius. Após falhar na derrota para o Bournemouth, no último final de semana, o alemão mandou mal de novo – e sob os olhares de Bruce Grobbelaar e Ray Clemence, goleiros lendários do clube nos anos 1970 e 1980.

Até parecia uma partida tranquila ao Liverpool. Antes dos cinco minutos, o time da casa abriu o placar. Ótima jogada coletiva que Adam Lallana completou para as redes. No entanto, a virada sairia ainda no primeiro tempo. Em cobrança de falta na entrada da área, Dimitri Payet bateu cheio de efeito, mas Karius se posicionou mal e não alcançou. Depois, o segundo tento aconteceu em uma pane coletiva. Ainda assim, o arqueiro demorou a sair para fechar o ângulo de Michail Antonio, que não perdoou. Pressionando, os Reds arrancariam o empata também com uma falha de goleiro. O cruzamento passou por entre as mãos de Randolph e sobrou nos pés de Origi, que arrematou. Ao menos o camisa 1 da seleção irlandesa se redimiu, buscando no ângulo um chutaço de Henderson, na melhor oportunidade de vitória dos anfitriões.

Quem viu Karius jogar no Mainz 05 sabe do potencial do alemão. Aos 23 anos, ele vinha de temporadas consistentes, já entre os melhores da Bundesliga na posição, talvez o melhor campeonato nacional na oferta de goleiros. Além disso, passou por todas as seleções de base da Alemanha desde o sub-16. Chegou a Anfield por seus méritos, independentemente do histórico de Jürgen Klopp no Mainz. E ganhou a posição por seu trabalho, passando mais confiança do que Simon Mignolet, que também não vinha empolgando.

Karius, entretanto, precisa ser o seu maior crítico. Após a derrota para o Bournemouth, ele veio a público comentar alguns questionamentos que recebeu – em especial, de Jamie Carragher, símbolo do Liverpool e atualmente comentarista na TV. E voltou a ficar em xeque neste domingo. É preciso trabalhar mais e falar menos, reconhecendo as falhas e tentando aprender com elas. Jovem, o alemão tem muito a se aperfeiçoar. Mas não pode cair na besteira de se perder pelas declarações. Afinal, Mignolet continua como uma sombra e é um concorrente mais experimentado para tomar a posição.

Um exemplo claro para Karius dentro da própria Inglaterra é o de David de Gea. O espanhol também veio sob grandes expectativas ao Manchester United, até mais tarimbado pela passagem no Atlético de Madrid, e não começou bem. Sofreu muitas críticas em seus primeiros meses. No entanto, cresceu demais nas últimas temporadas. A ponto de ser o jogador mais inquestionável em Old Trafford e, acima disso, um dos melhores de sua posição na Premier League. História que Karius deveria mirar para si.

Fato é que o Liverpool, sem ser tão implacável no ataque, fica pelo caminho. O terceiro colocado da Premier League tem apenas a décima melhor defesa da competição, a segunda pior da metade de cima da tabela. Seis pontos atrás do líder Chelsea, Jürgen Klopp tem um claro entrave a solucionar. E uma reflexão a fazer, diante dos erros e da postura de seu goleiro titular, apesar de todo o potencial que ele tem.