A imprensa só sabe um trecho do hino: “Galo forte e vingador”

Diz o Ibope que a torcida do Galo é só 33% de Minas Gerais. Perde para os 42% do Cruzeiro. Você acredita? Bom, eu duvido. Ou então os atleticanos não devem nem saber explicar como se multiplicam. Como fizeram nesse tempo todo para conseguir as nove maiores médias de público do Campeonato Brasileiro, atrás apenas do Flamengo, com 12. É muita paixão. Muita loucura para uma torcida tão sofrida que está muito bem representada pelo presidente Alexandre Kalil, aquele cara que aprova uns tapas em jogadores, que manda a segunda divisão para a puta que pariu no Twitter e que, pela mesma ferramenta (ui), anuncia 24 contratações.

Tome nota dos nomes que Kalil pegou nos últimos tempos. Com certeza trouxe muito mais, mas esses ele endossou pelo Twitter (https://twitter.com/alexandrekalil): Leonardo Silva, Wesley, Magno Alves, Richarlyson, Ricardinho, Carini, Mancini, Correa, Coelho, Rentería, Aranha, Giovani, Jobson, Celso Roth, Vanderlei Luxemburgo, Muriqui, Obina, Cáceres, Diego Souza, Patric, Toró, André, Mendes e Victor.

Aí faltam alguns nomes mais recentes, como Guilherme, Pierre, Daniel Carvalho, Dudu Cearense e, claro, Ronaldinho Gaúcho, o astro que provou que Kalil não é tão doido assim. Mas releia os nomes e você vai ver que o Galo tentou de tudo. Da revelação problemática ao jogador polivante (ou bivalente, se preferir), do consagrado em fim de carreira ao promissor ou experiente estrangeiro. Do cara que se destacou no fim de um Paulistão àquele treinador famoso.

Recentemente, fiz entrevista com o presidente do Galo. Muito educadamente, o que parece não ser marca registrada dele, ele lembrou que pode ser doido (tem fixação pela loucura!), mas não é burro. De onde vem tanta grana é uma pergunta que sempre fica no vazio. Kalil diz que economizou barbaridade quando acabou com esportes amadores, que cortou despesas absurdas, que fez e aconteceu. Mas dentro de campo os resultados nunca passaram, até agora, de Mineiros sem o Cruzeiro na final.

Muitos apostam e já têm discurso programado: se o Atlético cair a culpa é do Cuca, que ele é depressivo etc e tal, com aquele discurso repetitivo que o futebol “adora”. Acho mais fácil o lunático, a figuraça do Kalil – tipo de personagem que o futebol precisa – meter os pés pelas mãos com toda sua paixão e ansiedade de vencer logo esse Brasileiro, com 15 rodadas de antecedência. Há quem diga que no vestiário, após cada vitória, ele dá uma bolada na mão de cada jogador. Haja BMG e haja Ronaldinho, que vem jogando muito, quase tanto quanto Bernard, para segurar essa onda.