Kadewere experimentou uma adoração instantânea no Lyon: saiu do banco e, com dois golaços, decidiu a virada no clássico

A Ligue 1 viveu uma de suas maiores rivalidades neste domingo, com o clássico entre Lyon e Saint-Étienne no Estádio Groupama. E o desfecho do clássico teve um protagonista inesperado. Os Gones venceram por 2 a 1, de virada, mas não dependeram de nenhum dos jogadores badalados que lideraram a campanha às semifinais da última Champions League. Desta vez, o herói saiu do banco e é pouco conhecido do público geral: o zimbabuano Tinotenda Kadewere, que substituiu Moussa Dembélé e liderou a reação de sua equipe com dois golaços. Com menos de dez aparições pelo clube, já fica no coração da torcida.

Formado pelo Harare City, Kadewere se transferiu à Europa antes de completar 20 anos, descoberto pelo Djurgardens. Passou um tempo emprestado ao clube sueco, antes de ser contratado em definitivo e conquistar a Copa da Suécia em 2018. Já nas duas últimas temporadas, o zimbabuano foi um dos destaques do Le Havre na segunda divisão do Campeonato Francês. Os bons números no clube convenceram o Lyon a pagar €12 milhões por sua transferência em janeiro, embora o jogador de 24 anos só tenha se juntado ao elenco durante o início da atual temporada.

Tinho ganhou espaço como titular do Lyon depois das primeiras rodadas da Ligue 1, entrando na ponta direita. Marcou seu primeiro gol contra o Strasbourg e também deu assistência contra o Monaco. Mesmo sacado do 11 inicial para o clássico, virou um trunfo ao substituir Dembélé durante o início do segundo tempo. Naquele momento, o Saint-Étienne vencia por um gol de vantagem, anotado ainda no primeiro tempo. O goleiro Anthony Lopes desviou para dentro o cruzamento fechado de Denis Bouanga, para festa alviverde na casa rival.

Kadewere iniciou o resgate oito minutos depois de entrar, aos 20. Numa cobrança de falta ensaiada de Memphis Depay, Maxwel Cornet cruzou e Tino completou de letra, com muito estilo. Já aos 29, o substituto assinou um golaço ainda maior. Após receber a enfiada de Cornet, o zimbabuano arrancou pela esquerda. Escapou do primeiro marcador e fintou o segundo. Mesmo sem ângulo, bateu às redes, contando com a falha do goleiro Jessy Moulin. No fim, quando o Saint-Étienne poderia ter empatado, Bouanga carimbou a trave em cobrança de pênalti. Com o resultado, o OL assumiu a quinta colocação, enquanto o ASSE é apenas o 15°.

O mais curioso é que Kadewere declarou, antes do jogo, que sonhou com dois gols seus no clássico. Dito e feito, mesmo sem sequer aparecer no 11 inicial. “Creio bastante em Deus. Tenho fé em mim e sabia que isso iria acontecer. Eu também tive um sonho, no passado, de que jogaria pelo Lyon. Eu já disso isso quando assinei pelo clube e aconteceu. Talvez eu sempre tenha sonhos antes das partidas para torná-los realidade”, afirmaria o atacante, já depois do clássico, em tons premonitórios.

Ainda que não seja tão jovem, Kadewere indica potencial para ganhar destaque no Lyon. E os dois gols contra o Saint-Étienne, com tanta categoria, valem para cair nas graças da torcida. Será interessante ver sua progressão, não apenas pelo clube, mas também pela seleção de seu país. Embora Zimbábue tenha disputado as duas últimas edições da Copa Africana de Nações, ambas com a presença de Tino, o país não possui jogadores de tanto destaque nas grandes ligas europeias – com menção principal a Marvelous Nakamba, reserva do Aston Villa. O centroavante pode buscar a visibilidade que, em outros tempos, pertencia a Benjani Mwaruwari.