A Juventus anunciou a contratação do técnico Maurizio Sarri neste domingo, confirmando o que já era especulado antes mesmo do fim da temporada. O treinador ficou apenas uma temporada no comando do Chelsea, depois de deixar o Napoli, e agora retorna à Itália para consolidar uma mudança de estilo no atual octacampeão do país. Aos 60 anos, o seu desafio será trazer o estilo de jogo de mais ofensividade a um time acostumado a ter como principal característica uma defesa sólida. O contrato de Sarri com a Juventus será de três anos.

Sarri tinha contrato com o Chelsea até 2021 e, por isso, foi preciso negociar a sua saída dos Blues. Segundo a Sky Sports, a Juventus pagará 5 milhões de libras ao time inglês como compensação pela contratação do técnico. Na sua primeira e única temporada na Inglaterra, Sarri viveu altos e baixos. Começou muito bem, depois viveu uma série de oscilações e novamente terminou em alta, com o terceiro lugar na Premier League, vaga garantida na Champions League e um título: a Liga Europa, conquistada com uma goleada sobre o Arsenal.

“Em conversas depois da final da Liga Europa, Maurizio deixou claro o quanto ele desejava voltar ao seu país natal, explicando que as razões para querer voltar a trabalhar na Itália eram significativas”, afirmou Marina Granovskaia, diretora do Chelsea. “Ele também acreditava ser importante estar mais perto da família, e pelo bem-estar dos seus pais idosos ele sentia a necessidade de viver mais perto deles neste momento”, continuou a dirigente.

Do banco ao banco (de reservas)

Sarri nunca jogou profissionalmente futebol. Foi um zagueiro amador, pelo Figline, mas não chegou ao profissionalismo. Fez testes por Fiorentina e Torino, sem sucesso. Nessa época, Sarri trabalhava em um banco de manhã, enquanto à tarde jogava e treinava. Em 1990, quando tinha 30 anos, começou a carreira como técnico. Ele se conseguiu viver exclusivamente da profissão de técnico em 1999, quando foi para o Tegoleto, que estava na quinta divisão do país.

Em 2000, se tornou treinador do Sansovino, ainda na quinta divisão, mas conseguiu levar o time ao acesso à Serie D na sua primeira temporada, manteve o time nesta divisão e depois ainda brigou pelo acesso no playoff na temporada seguinte. Seu desempenho chamou a atenção do Sangiovannese, que o contratou em 2003 e subiu o clube de divisão para a Serie C1.

Foi no Pescara, na Serie B em 2005, que teve sua primeira experiência na Serie B. Evitou o rebaixamento e, depois, pediu demissão. Foi comandar o Arezzo, no dia 1º de novembro de 2006, substituindo, vejam só, Antonio Conte. Foi demitido em março de 2007 e Conte voltou ao cargo. Sua carreira passou por momentos complicados, passando por vários clubes em um curto período: Avellini, Arezzo, Perugia, Grosseto, Alessandria, Sorrento.

Foi em 2012 que veio um trabalho que mudaria a sua vida: o Empoli. Jogando a Serie B, levou o time aos playoffs com um quarto lugar na sua primeira temporada, mas perdeu a final do playoff para o Livorno. Na temporada seguinte, foi segundo colocado e garantiu o acesso direto. Com isso, a temporada 2014/15 foi a sua primeira na Serie A, no comando do Empoli. E conseguiu evitar o rebaixamento, terminando em 15º na tabela. Chamou a atenção e conseguiu uma chance no clube de onde nasceu: o Napoli. Foi anunciado em junho de 2015 e fez história.

Foram três temporadas no comando dos Partenopei e recordes de pontos nos três anos. Foram 82 pontos na primeira temporada, terminando em terceiro, depois de liderar na primeira parte da Serie A, 86 pontos na segunda temporada, ficando mais perto de conquistar o título, e por fim 90 pontos, a maior pontuação do Napoli na história da Serie A, mas que ainda assim acabou com o vice-campeonato graças ao aproveitamento absurdo da Juventus.

A sua temporada no Chelsea permitiu que ele conquistasse o seu primeiro grande título na carreira, a Liga Europa. A relação com os torcedores, porém, foi um tanto conturbada. Muitos o criticaram pelo seu “Sarribol”, por ser intransigente no seu modo de jogar. Lembremos que o Chelsea se acostumou, nos últimos anos, a ter técnicos que tinham um estilo de jogo completamente diferente.

Na Juventus, Sarri tentará algo parecido com o que acontece no Chelsea: tentar quebrar o sistema de jogo mais galgado na defesa e segurança defensiva. A mudança de estilo parece um desejo da diretoria desde a saída de Massimiliano Allegri, um técnico que entregava os resultados, mas que o desgaste desta última temporada parece ter levado ao limite. O próprio treinador pareceu querer deixar o posto.

A mudança fará com que Sarri tenha uma enorme responsabilidade: com um time oito vezes campeão italiano e com um elenco muito forte, a ambição é manter a hegemonia em casa e buscar o título europeu. Mais do que isso: jogando um futebol mais ofensivo e fluido. Ao menos nisso, a diretoria da Juventus parece que sabe o que está fazendo, porque esse estilo de jogo é o que caracteriza os times de Sarri.