por Pedro Sacco Fonseca

É fato que a Juventus sempre teve um time burocrático e pragmático, na opinião da imprensa italiana e européia em geral. Jogos sonolentos, com sistema defensivo eficaz e com total segurança, meio-de-campo intransponível e ataque que, se não chegava tantas vezes à área adversária, pelo menos conseguia manter a posse de bola e jogar com responsabilidade para conseguir uma vitória tranqüila.

É claro que há as exceções, e generalizar um clube centenário com apenas essas características é no mínimo inapropriado. E entre essas exceções, encontra-se a Juventus do ano de 2007, que depois de viver o inferno na série B, conseguiu se reerguer e assume na oitava rodada a vice-liderança isolada do campeonato italiano, com três pontos a menos do que a atual campeã Internazionale.

Depois de conquistar o título da série B com uma enorme facilidade, partindo inclusive de pontuação negativa, a equipe de Turim dava mostras de que não iria incomodar os outros grandes na temporada de 2007/2008, na briga direta pelo título. O que mais pesou nessas opiniões foram as contratações da diretoria, que realmente não foram o esperado para um time que deveria brigar pelo título todo ano, devido à sua tradição.

Não há uma estrela consagrada no elenco além daquelas que conquistaram o título da segunda divisão da temporada passada. Buffon, Nedved, Del Piero e Trezeguet foram incumbidos com a missão de levar adiante um time órfão de craques que estavam no elenco antes do desmanche causado pelo escândalo de manipulação de arbitragem.

E surpreendentemente, os Bianconeri vêm conseguindo belos resultados na competição, e se não fosse uma surpreendente derrota em casa, pelo placar mínimo, para a Udinese, estariam dividindo a primeira colocação com o time azul e preto de Milão.

Cláudio Ranieri, o novo treinador, não é unanimidade ainda nas páginas da imprensa, mas também está realizando um bom trabalho com o que tem nas mãos. Claro que o elenco da equipe não é ruim, mas na teoria fica um pouco longe de brigar pelo título. Entretanto, até o momento, a teoria não está se valendo na prática. E há ainda o fato de que a Juventus jogará menos partidas do que seus concorrentes diretos, já que eles estão envolvidos também em competições européias, o que causa um desgaste maior do elenco.

Essa reestruturação causou uma mudança no estilo de jogo da equipe, que já não passa a mesma segurança de antes, mas que agora costuma causar emoções mais fortes nos seus torcedores. É claro que muitas talvez ainda prefiram o velho estilo de jogo da também “Velha Senhora”, mas com certeza isso trouxe um atrativo a mais para os fãs do campeonato italiano.

É com essa Juventus que seus torcedores precisam se acostumar até pelo menos o fim da temporada, porque com a perda de arrecadação no ano passado, é possível que demore um pouco ainda para pensar em se gastar muito com apenas um jogador. E é com essa Juventus que os adversários têm que se acostumar. É certo que já não causa o medo e o respeito de antes, mas a equipe bianconera, pela vontade que demonstrou até agora, promete dar trabalho nesse campeonato.