A Juventus está de olho no mercado asiático e quer mudanças no Campeonato Italiano para tornar o time mais forte no continente. A Serie A começa neste fim de semana, mas os jogos começam à meia noite ou ainda mais tarde no horário de Pequim. Para a Velha Senhora, esse é um problema para tornar o clube mais atraente a um público muito importante no mercado mundial do futebol.

Mesmo sendo o clube mais vitorioso da Itália e dominando o futebol do país nas últimas oito temporadas, a Juventus está atrás do chamado top 6 da Inglaterra em termos de receitas. Claro, isso tem muito a ver com os lucrativos contratos de TV que os ingleses conseguiram pela Premier League, mas também porque se tornaram os clubes mais conhecidos e consumidos na Ásia. E é nessa fatia do mercado que o clube de Turim quer atacar.

Tradicionalmente, os jogos do Campeonato Italiano são no fim da tarde ou à noite, mesmo aos finais de semana. E isso acaba dificultando a transmissão dos jogos na Ásia, que aproveita os jogos mais cedo na Inglaterra para colocar em suas grades em horário nobre.

“Nós temos que encontrar o equilíbrio certo entre a audiência local e global”, afirmou o diretor de receitas da Juventus, Giorgio Ricci, à BBC. “Não se trata apenas de horários de transmissão, se trata também de direitos de distribuição e quem está mostrando os jogos”, continuou. “Nesse sentido, a diferença entre Premier League e Serie A é enorme. Esta é uma história antiga e uma das razões mais frequentes de luta com a liga”, explicou ainda Ricci.

Os grandes clubes italianos têm tratado sobre a questão de ter mais cedo há algum tempo com a liga, para aumentar a exposição das suas marcas na China e no Sudeste Asiático, regiões onde o futebol é um esporte muito visto. Para eles, o sistema italiano, com jogos quase sempre noturnos, não ajudam nesse sentido.

Na atual temporada 2019/20, nenhum clube italiano entrará em campo antes das 17h, no horário local, por causa das fortes ondas de calor na Itália. Da terceira rodada em diante, os jogos aos sábados começarão às 14h no horário italiano e às 11h30 no domingo. Os horários de início dos jogos não podem ser alterados durante o atual contrato de TV, que vai até 2021.

O porta-voz da Serie A disse acreditar que é de fato preciso encontrar um equilíbrio, “levando em consideração todos os lugares do mundo porque a Serie A é transmitida em 200 territórios”.

No Brasil, os jogos do Campeonato Italiano são transmitidos desde os anos 1980, com a Band como o canal que mais transmitiu. Mesmo a Globo chegou a transmitir a temporada 1984/85, quando o Verona foi o campeão. Desde então, os direitos passaram por ESPN, Fox Sports e atualmente estão com a DAZN, serviço de streaming lançado no final do ano passado no Brasil.

Segundo o relatório da Deloitte, a Juventus está em 11° no ranking de 20 clubes mais ricos do mundo. O clube tem a ambição de crescer mais na Ásia e, por isso, foi o primeiro italiano a abrir um escritório no continente, em Hong Kong. A Inter pertence a um grupo chinês, Jingsu, e, por isso, também está representada no continente.

Para se tornar ainda mais atrativa, a Juventus espera conquistar o almejado título da Champions League. Por isso, levou na temporada passada o badalado Cristiano Ronaldo por € 117 milhões e, nesta temporada, contratou o defensor que é visto como um dos mais promissores da Europa, Matthijs De Ligt, do Ajax, por € 85 milhões.

Com 35 títulos da Serie A, o chamado scudetto, incluindo os oito últimos, a ambição é se tornar um clube que vença também a Champions League, que conquistou pela última vez em 1996. A Velha Senhora tem dois títulos, em 1984/85 e em 1995/96. Desde então, chegou à final em 2002/03, em 2014/15 e em 2015/16, mas acabou derrotado em todas elas – para Milan, Barcelona e Real Madrid, respectivamente.

Diversos clubes ingleses possuem escritórios na Ásia com foco no aumento de receitas comerciais, como o Manchester United e Manchester City. Federico Palomba, chefe da operação Ásia-Pacífico da Juventus, diz que a região tem “enorme escopo para crescimento”. “Nos anos 1990, a Serie A era muito popular na China. Agora está voltando a ser”, disse ainda o dirigente.

A própria Juventus tem feito pesquisas de mercado desde que contratou o astro Cristiano Ronaldo. Esses estudos mostraram que o clube aumentou em 16% a sua base de torcedores (ou, melhor dizendo, fãs, o que nesse caso se mostra mais preciso). Além disso, o crescimento da chamada comunidade digital do clube, que reúne dados de todas as redes sociais, mostra que a base de seguidores aumentou em 59%, alcançando a marca de 81 milhões.