Juventus e Nacional não são exatamente rivais. Mesmo assim, fazem um “clássico dos pequenos” de São Paulo. Os times tradicionais da capital costumam atrair os amantes do futebol alternativo em seus estádios. E, diante do dérbi municipal, levaram bom público à eterna Rua Javari na manhã deste domingo. As arquibancadas na Mooca estavam cheias, com 3,6 mil fanáticos – mais gente do que em cinco jogos da rodada da Série B, e do que em cinco jogos da Série A neste ano. O duelo também multiplicou em seis a marca do último confronto, em abril, quando 645 pessoas viram a vitória do Nacional por 2 a 0 em uma tarde de quarta-feira, pela terceira divisão do Campeonato Paulista.

BRASIL ALÉM DA SÉRIE A: Paulo Baier vive a antítese de defender o Juventude e ajuda a boa campanha na Série C

E quem foi ao charmoso estádio da Zona Leste certamente se divertiu, mesmo que a qualidade dos times não fosse das maiores. Embora tenha conquistado o acesso no Paulistão, o Moleque Travesso perdeu o clássico pela segunda vez no ano. O Naça começou bem na Copa Paulista e garantiu os 100% de aproveitamento com a vitória por 1 a 0, gol do meio-campista Pirajú, ex-Portuguesa. Se a torcida grená não pôde comemorar a vitória, ao menos curtiu a manhã comendo os tradicionais cannoli da Javari. Desta vez, com uma concorrência um pouco maior pelo estádio lotado. Nada que incomodasse, muito pelo contrário.

Abaixo, os outros destaques do futebol nacional além da Série A, na série semanal “Lado B de Brasil”:

Série D

O garoto de 15 anos que virou personagem

Gabriel Eremith não marcou gols na vitória do Rio Branco por 2 a 1 sobre o Vilhena, na Arena da Floresta, mas terminou o jogo como protagonista. Tudo porque o garoto de 15 anos precisou entrar em campo em uma fogueira e deu conta do recado, ajudando os acrianos a assumir a segunda posição em seu grupo. Goleiro do sub-19, o jovem foi chamado de última hora para ser o reserva durante o duelo contra o Nacional, na semana passada. E, elogiado pelo técnico, Gabriel precisou entrar em campo aos 20 minutos do segundo tempo, quando Roger Kath recebeu o segundo cartão amarelo e acabou expulso, após cometer um pênalti.

O garoto não pegou a penalidade e nem precisou fazer grandes defesas para assegurar a vitória do Rio Branco, mas teve o seu nome gritado pela torcida. O titular da posição, Tiago Rocha, está machucado, enquanto Ricardo Vilar foi trazido para a posição e não teve tempo para ser regularizado – embora deva assumir a meta na próxima rodada. Gabriel saiu de campo emocionado, relembrando o pai, falecido há quatro meses por causa de um câncer.

central

Central 100% e cardíaco

Somente um clube venceu todos os jogos que fez na Série D: o Central, que ratificou a ótima sequência batendo o Estanciano por 3 a 2 em Caruaru. Só que a Patativa sofreu um bocado para superar os sergipanos. Com 37 minutos de jogo, os visitantes já fizeram dois gols sobre os pernambucanos. A reação veio somente no segundo tempo, mais precisamente nos minutos finais. Altermar reduziu aos 22 minutos, enquanto Cris e Reinaldo Alagoano consumaram a virada após os 44. O Central lidera a chave que também tem Treze, Goianésia e Serrano.

O ataque fulminante do Azulão

O São Caetano mantém a boa fase na Série D, com três vitórias em quatro rodadas. Nesta segunda, o Azulão foi até Florianópolis e venceu o Metropolitano por 3 a 2, em jogo disputado. Duelo decidido pela dupla de artilheiros do campeonato: Jô soma cinco gols, enquanto Robson já tem quatro. Com os nove gols somados, os jovens balançaram mais as redes do que qualquer outro dos 39 clubes da divisão. Além disso, também são responsáveis por 75% dos tentos do São Caetano.

Foz do Iguaçu cataratas abaixo

Já na ponta do mesmo grupo do Azulão, o Foz do Iguaçu faz água. Perdeu o terceiro jogo em três rodadas, desta vez na visita ao Lajeadense. Os gaúchos venceram por 3 a 0, com dois gols de Ramon Machado. A defesa do clube paranaense é a pior da Série D e possui a pior média de gols sofridos de todas as quatro divisões do futebol brasileiro: são 12, média de quatro por jogo. O maior vexame, curiosamente, não aconteceu em uma goleada. Na primeira rodada, o Foz perdeu para o Volta Redonda por 5 a 4, em jogo de duas viradas – a última delas, do Voltaço, com dois tentos depois dos 41 minutos do segundo tempo.

O gringo da Série D

O estrangeiro mais conhecido da quarta divisão é Acosta, aquele, que defende o Santos do Amapá. Porém, há um compatriota do uruguaio que já é figurinha carimbada no campeonato. Morando no Brasil desde adolescência, Juan Sosa rodou por clubes de seis diferentes estados desde 2008 – iniciando a carreira no Rio de Janeiro, estado onde morava com a família. Nos últimos quatro anos, vai para a sua terceira edição da Série D, após participar com Remo e Novo Hamburgo. O defensor atua no Operário Ferroviário, com o qual foi campeão estadual, e com quem segue em boa campanha no nacional. Os alvinegros tiraram a invencibilidade do Ypiranga de Erechim com o triunfo por 1 a 0 e assumiram a ponta do Grupo 7.

A lição de vida que motiva o Rio Branco

O Rio Branco mostra força para buscar a classificação à próxima fase, vencendo seus dois últimos jogos. E os capixabas contam com um apoio especial do lado de fora do campo – uma história contada por Eduardo Dias, no jornal A Gazeta. Jogadores e comissão técnica se envolveram com a história de vida de Carolaine Gimenes, uma garota de 15 anos que será operada pela terceira vez para retirar um tumor do ovário. Autor de dois gols na vitória por 3 a 1 sobre o Operário-MT, o atacante Willian deu sua camisa à jovem. E um de seus tentos foi uma pintura, encobrindo o goleiro Perereca (símbolo moral da Série D) em contra-ataque.

Série C

fortaleza

Torcida ajuda o Fortaleza retomar o embalo

Depois de sofrer dois tropeços nas três rodadas anteriores e deixar o Vila Nova encostar, o Fortaleza voltou a abrir vantagem no Grupo A da Terceirona. Não deu muitas brechas ao lanterna Icasa, que havia perdido oito de seus nove jogos anteriores: 2 a 0 para o Tricolor, com Daniel Sobralense e Lima resolvendo a parada. E o Castelão recebeu um público interessante, com 12,3 mil torcedores. Foi o terceiro maior entre as três divisões inferiores do Brasileirão, perdendo apenas para os 18 mil do Paysandu na Segundona, e o segundo maior do Fortaleza na competição.

O dia de Leandrão na Serra Gaúcha

Leandrão não é exatamente um grande exemplo de qualidade técnica. Entretanto, o centroavante sabe fazer gols. E, não à toa, é o artilheiro da Série C, ajudando o Brasil de Pelotas a assumir isoladamente a primeira colocação do Grupo B. Em duelo de líderes, o veterano comandou a virada por 3 a 2 sobre o Juventude, dentro do Alfredo Jaconi. Marcou o primeiro de pênalti e decidiu o jogo com o terceiro, além de também ter participado do segundo. Mais irônico é que o Juventude queria Leandrão para a Série D, após o camisa 9 se destacar pelo Novo Hamburgo no Gauchão. Sorte do Xavante.

Guará, o Íbis de 2015

Está difícil de acompanhar o ritmo do Guaratinguetá em 2015. Sem o investimento de outros anos, o clube do interior já tinha caído na segunda divisão do Campeonato Paulista, terminando a campanha na A2 com uma vitória e 18 rodadas, além de 49 gols sofridos. Pois o destino da Garça também será disputar a Série D no próximo ano. Ainda sem vencer na Terceirona, a equipe deu respiro ao Guarani, perdendo por 1 a 0 no Brinco de Ouro da Princesa. Parece ser o fim de um clube-empresa que prosperou por pouco tempo, chegando à Série B e conquistando o Torneio do Interior do Paulistão.

A mobilização em torno do Vila Nova

Após viver um ano aterrorizante em 2014, rebaixado na Série B, o Vila Nova aparece com força para buscar o acesso. Vice-líder do Grupo A, a equipe empatou com o Cuiabá por 1 a 1 fora de casa. E com a ajuda do público à distância: dezenas de alvirrubros se reuniram no Estádio Onésio Brasileiro de Alvarenga, para ver o jogo em um telão disponibilizado pelo clube. Na rodada anterior, o Tigre já tinha colocado 13 mil pessoas no Serra Dourada, público superior ao de Goiás x Flamengo pela Série A – apesar dos ingressos bem mais baratos.

O vazio dos estádios da Copa

Os alertas foram muitos, mas não adiantaram de nada. Os “elefantes brancos” da Copa de 2014 ganham peso, e tiveram uma mostra e tanto disso nesta rodada da Série C. O América de Natal até está no G-4 e venceu o Águia de Marabá por 2 a 0, mas contou com a presença de apenas 3,1 mil alvirrubros na Arena das Dunas. Já a Arena Pantanal também não recebeu tanta gente para Cuiabá e Vila Nova – em público ainda não divulgado pela CBF. A Série B ainda teve os 6,5 mil do empate entre Náutico e Macaé na Arena Pernambuco.

Série B

bahia

Bahia, o único a honrar o topo da tabela

Dos 10 primeiros colocados na Série B durante o início da rodada, apenas um venceu. O Bahia fez a sua parte na visita a Natal e atropelou o ABC com a vitória por 3 a 0. Alexandro, Rômulo e Souza anotaram os gols na vitória do Tricolor, que encerrou a sequência de três jogos sem vencer e tomou gás para voltar ao G-4. O equilíbrio na tabela, aliás, impressiona. Quatro dos cinco primeiros colocados somam 28 pontos. No entanto, Vitória, América Mineiro e Náutico não passaram de um empate na rodada.

ABC, de mal a pior

O bom resultado do Bahia também é explicado pela péssima fase do ABC. Os potiguares emendaram a quinta derrota consecutiva, três delas dentro de casa. Já nas últimas dez partidas, os alvinegros só somaram cinco pontos, aproveitamento pífio de 16,6% dos pontos disputados. O técnico Toninho Cecílio assumiu o time há três jogos, após a queda de Gilmar Dal Pozzo, mas seu pescoço já começa a ficar ameaçado. E quem caiu nesta rodada foi Geninho, diante do péssimo desempenho do lanterna Ceará, que também já havia mandado embora Silas no final de junho.

Começo pouco animador para Ricardo Gomes

A liderança permanece nas mãos do Botafogo, mas pela falta de aproximação dos concorrentes do que por bons resultados da equipe. Os alvinegros acumularam o terceiro empate seguido, ficando no 0 a 0 contra o Luverdense dentro do Estádio Nilton Santos. Estreante do dia, o técnico Ricardo Gomes comandou um time pouco ameaçador, errando demais na criação. Pior, ainda viu Jefferson segurar o resultado. Os cariocas podem perder a liderança temporariamente, caso o América Mineiro vença o Bragantino nesta terça.

Os “estrangeiros” que embalam o Atlético Goianiense

Já o principal destaque da Série B neste momento é o Atlético Goianiense. A equipe goiana venceu o terceiro jogo consecutivo, igualando a pontuação que tinham feito nas 13 rodadas anteriores e deixando a zona de rebaixamento. E o embalo pode ser explicado pela chegada de dois novatos exatamente neste período: os atacantes Júnior Viçosa e Jorginho, que estavam no exterior – no Chiasso, da Suíça, e no Seongnam, da Coreia do Sul. São três gols e duas assistências da dupla, garantindo quatro dos últimos cinco gols da equipe. Neste final de semana, lideraram a vitória por 3 a 1 sobre o Sampaio Corrêa no Serra Dourada.

parana

O ídolo pouco conhecido do Paraná

O futebol longe dos holofotes tem os seus ídolos nem sempre reconhecidos pelo grande público. Um deles é o goleiro Marcos, do Paraná. O veterano de 39 anos começou a carreira no clube e, após longa passagem pelo futebol português, voltou em 2013. Neste final de semana, completou 300 jogos com a camisa tricolor e recebeu as devidas homenagens no gramado da Vila Capanema. Fez sua parte, mas não teve a devida colaboração dos atacantes, com o empate por 0 a 0 contra o CRB. E quem também fez a sua parte foi a torcida paranista, outra vez mostrando o seu apoio ao clube e colocando 14,3 mil pessoas na Vila Capanema.

Pelos estaduais

O show do Norusca e o olé do Olé

Pela quarta divisão do Campeonato Paulista, o Noroeste não teve piedade diante do eliminado José Bonifácio. O time de Bauru enfiou 8 a 0 sobre os visitantes, com destaque para o volante Makelele (que não é aquele que defendeu Palmeiras e Grêmio), autor de dois gols. E o mais cruel: o Norusca atuava com a equipe reserva. Outra goleada marcante da rodada foi do Olé do Brasil, que massacrou o Desportivo Brasil por 6 a 0. Cinco gols saíram apenas no segundo tempo.