A Juventus anunciou nesta sexta-feira, 17, que o técnico Massimiliano Allegri deixará o cargo ao final da temporada. O treinador italiano tinha contrato até junho de 2020, mas as duas partes decidiram antecipar o fim do vínculo. Sua saída deixa uma grande dúvida sobre qual será o rumo escolhido pelo clube nas próximas temporadas, já que parece haver um clamor por uma mudança de postura. Apesar dos desgastantes recentes, Allegri conseguiu elevar o patamar europeu da Juventus, tornando-se um dos principais clubes do continente novamente.

“Massimiliano Allegri não estará no banco da Juventus na temporada 2019/20”, diz comunicado no site da Juventus. “O técnico e o presidente, Andre Agnelli, irão dar uma coletiva de imprensa amanhã, sábado, 18 de maio, no Allianz Stadium”.

Allegri está na Juventus desde 2014 e teve a dura missão de substituir Antonio Conte, que subitamente decidiu deixar o clube após três temporadas de sucesso. Nas cinco temporadas pelos bianconeri, Allegri conquistou cinco títulos italianos consecutivos e 11 títulos no geral, somando também as Copas da Itália. Ele ainda chegou à final da Champions League duas vezes, em 2014/15 e 2016/17 – derrotas para o Barcelona e para o Real Madrid, respectivamente.

A sua chegada ao clube foi muito criticada naquele ano de 2014. O treinador tinha sido demitido pelo Milan em janeiro e meses depois estava sendo apresentado na Juventus. Os torcedores bianconeri não achavam que era uma boa escolha. O carro que o levava para a sua primeira coletiva de imprensa chegou a ser atacado por objetos atirados pelos torcedores em protesto. Allegri chegou a 269 jogos oficiais, 191 vitórias, 40 empates e 38 derrotas.

Nos últimos dias, técnico e dirigentes fizeram várias reuniões para definição do futuro, mas, aparentemente, as ideias das duas partes não coincidiram. Muitos torcedores reclamam da postura dos times de Allegri em campo, frequentemente chamados de defensivos demais, especialmente nesta temporada, com a chegada de Cristiano Ronaldo.

O trabalho de Allegri tem vários pontos positivos. Ele conseguiu adaptar o time a diversos jogadores diferentes, conseguindo não só bons resultados, mas ser um time consistente. Empilhou taças da Serie A e Copa da Itália e trouxe alegria ao levar a Juventus a duas finais de Champions. A insatisfação dos torcedores, porém, era crescente. Há a ideia que o time joga menos do que pode e, além disso, o resultado ruim diante do Ajax, ao ser eliminado nas quartas de final, deixou muita gente insatisfeita em Turim.

Allegri fez com que a Juventus fosse novamente uma potência europeia, algo que o clube queria. Faltou o passo final, o título, mas é inegável que o clube bianconero passou a integrar o seleto grupo dos favoritos à taça, algo que o time não conseguia sob o comando do antigo treinador, Antonio Conte. E isso não é pouca coisa. Tanto que Allegri certamente tem muito mercado entre grandes clubes da Europa, que ficarão de olho para levar o treinador.

E agora, Juve?

Com a definição da saída de Allegri, a pergunta é quem o substituirá. Antonio Conte é o nome mais óbvio, com a identificação que tem com o clube e com muitos diretores, como o ex-jogador e companheiro de clube, Pavel Nedved, além de Fabio Paratici. O problema em relação a Conte, além do alto pedido de salário, é o relacionamento entre o técnico e o presidente Andrea Agnelli.

Além disso, as notícias na Itália são de uma negociação avançada entre Conte e Internazionale, que conta com o trunfo de ter o diretor esportivo Giuseppe Marotta, com quem Conte trabalhou e se deu muito bem na Juventus. Além disso, Conte não representa uma ruptura com o estilo de jogo um pouco mais defensivo que Allegri também carrega.

Os dirigentes da Juventus sonham com Pep Guardiola, mas o técnico fez questão de falar, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, que será o técnico do Manchester City na próxima temporada. Guardiola fala italiano porque jogou pelo Brescia nos tempos de jogador, mas parece um sonho distante da Juve.

Outro nome especulado é o do técnico da França, Didier Deschamps, campeão do mundo pelos Bleus. O francês teve uma passagem importante pelo clube enquanto jogador, defendendo as cores bianconeri de 1994 a 1999. Também já foi treinador do clube, na temporada 2006/07, quando a equipe disputou a Serie B do Campeonato Italiano. Deschamps, porém, também não representaria uma ruptura de um estilo de jogo mais conservador, ou defensivo. Ao contrário, até, se olharmos para como a França ganhou a Copa do Mundo.

O técnico do Tottenham, Mauricio Pochettino, é outro especulado na Itália. O treinador argentino leva o Tottenham à final da Champions League e representaria um tipo de futebol que é o que os torcedores cobram que o time tenha, de um jogo mais elaborado, mais ofensivo. Tirá-lo do Tottenham, porém, não parece uma missão fácil.

Outro nome falado é o de Simone Inzaghi, atual técnico da Lazio, que vem fazendo um ótimo trabalho no clube da capital e conquistou a Copa da Itália neste meio de semana. Este parece o nome mais possível. Simone Inzaghi foi jogador da Lazio e companheiro de Nedved, que o apoiaria, assim como outro diretor, Paratici. E mais um elemento é que Inzaghi mostrou insatisfação com a falta de apoio da diretoria laziale nas últimas semanas e deixou aberta a possibilidade de não continuar no clube. Um convite da Juvuntus pode ser atraente demais para se recusar.