Carlos Ruiz é daqueles jogadores marcantes no futebol de seleções, mesmo sem nunca ter disputado uma Copa do Mundo. O atacante guatemalteco estreou por sua equipe nacional em 1998, quando tinha acabado de completar 19 anos. Desde então, virou figurinha carimbada nos torneios da Concacaf. E a despedida do veterano da seleção não poderia ser mais triunfal. Tudo bem, a Guatemala não conseguiu avançar para o hexagonal final das Eliminatórias da Copa de 2018 em sua região. Mas, individualmente, o Pescadito arrebentou. Marcou cinco gols no massacre por 9 a 3 sobre São Vicente e Granadinas. Tornou-se não apenas um dos 15 maiores artilheiros do futebol de seleções em todos os tempos, como também o maior goleador da história das Eliminatórias, superando (com folga) o lendário Ali Daei.

Por clubes, Ruiz fez sua carreira praticamente inteira na América do Norte e Central. É ídolo do Municipal da Guatemala, com o qual iniciou a carreira aos 16 anos e voltou há três anos para encerrar. Além disso, tem seu nome bastante reconhecido na Major League Soccer, na qual defendeu cinco clubes diferentes. O melhor momento veio com o Los Angeles Galaxy, pelo qual foi campeão e melhor jogador em 2002. Já na Europa, Ruiz se limitou a passagens apagadas pelo Aris e pelo PAS Giannina, da Grécia.

Com a camisa da seleção, no entanto, a grandeza de Ruiz é inconteste. A Guatemala nunca disputou uma Copa do Mundo, mas não por falta de insistência do matador. O centroavante participou das campanhas em cinco edições das Eliminatórias. E não marcou seus tentos apenas contra as “babas”. Ao todo, foram 39 gols. Quinze deles vieram contra seleções que se classificaram ao Mundial desde 2002. A marca histórica, de qualquer maneira, dependeu do gás dado nesta Data Fifa. Ruiz já tinha deixado sua marca duas vezes no empate por 2 a 2 com Trinidad e Tobago, ficando a um tento de igualar o iraniano Ali Daei. Até o show contra São Vicente e Granadinas, correndo para o abraço cinco vezes. Os três primeiros gols, aliás, ressaltaram a sua capacidade, independente do adversário: um de direita, um de esquerda e um de cabeça.

Maior artilheiro do futebol internacional em atividade até então, Ruiz pendurou as chuteiras com o 15º lugar na história, igualado os 68 gols de Gerd Müller e do recém-aposentado Robbie Keane. Além disso, apenas o trinitino Stern John se coloca à frente do guatemalteco na Concacaf. Em uma seleção pouco relevante, mesmo em um continente sem tantas forças mundiais, Ruiz fez muito. E se amassou tantas equipes nanicas, o azar foi o delas. Afinal, tantos outros atuaram em condições parecidas e nunca conseguiram ser tão letais em Eliminatórias.