O ano do centenário costuma ser recheado de expectativas a qualquer clube de futebol, mas nem sempre elas são totalmente realizadas. A LDU Quito, no entanto, certamente desfrutou este 2018 histórico ao clube. Em meio aos festejos por sua fundação, os Albos conquistaram o Campeonato Equatoriano. Dominantes ao longo da campanha, a equipe da capital encarava na decisão o Emelec, muito mais tarimbado pelos títulos recentes. O retrospecto dos Elétricos, de qualquer maneira, não teve qualquer valia no último jogo, disputado neste domingo. Diante de sua torcida no Estádio Casa Blanca, a Liga bateu os visitantes por 1 a 0 e reconquistou a taça que não vinha desde 2010, recobrando seus períodos mais gloriosos.

Desde 2012, o Campeonato Equatoriano vinha sendo dominado por Guayaquil. Barcelona e Emelec se revesavam no topo da tabela, com a LDU se transformando em mera coadjuvante. Depois da era gloriosa que se iniciou em 1998 e perdurou até 2010, com seis títulos nacionais (além da Libertadores de 2008 e da Copa Sul-Americana de 2009), os Albos amargavam seu jejum. No máximo, haviam sido vices em 2015, quando tiveram a melhor pontuação na somatória das duas pernas da liga, mas perderam a final para os Elétricos. Desta maneira, a finalíssima de 2018 ofereceria uma revanche à Liga.

A LDU fez por merecer sua vaga na final, bastante regular ao longo desta edição do Equatoriano. Venceu a Primeira Etapa (turno e returno contra todos os times) somando 46 pontos, um a mais que o Barcelona, após tomar a liderança na reta final da campanha. Por isso, já se garantia na decisão. Durante a Segunda Etapa, não foi tão bem, mas ainda assim ficou a quatro pontos do campeão Emelec. Com a melhor pontuação geral, a Liga tinha o direito de fazer o segundo jogo da finalíssima contra os Elétricos em casa . Algo importante, e que valeu bastante.

Na última quarta-feira, aconteceu o primeiro jogo da decisão, no Estádio George Capwell. O Emelec até saiu em vantagem com Brayan Angulo, mas Anderson Julio assegurou o empate por 1 a 1 à LDU. Já neste domingo, a Casa Blanca se encheu para o reencontro definitivo. E o herói se repetiu. Anderson Julio anotou um golaço aos dez minutos do primeiro tempo. Recebeu na entrada da área, limpou a marcação com um giro e soltou a sapatada de média distância, mandando a bola no ângulo do goleiro Esteban Dreer. Pintura que será sempre lembrada na história dos Albos, como aquela que assegurou o 11° título nacional do clube. Mesmo perdendo seus dois zagueiros por lesão durante a partida, os anfitriões seguraram o resultado e celebraram com sua torcida.

A LDU atravessou uma temporada com turbulências. Em junho, os jogadores chegaram a boicotar treinamentos por falta de pagamentos. Além disso, há uma crise na gestão, inclusive em sua relação com a federação. Entraves superados por um grupo unido e forte, a começar pelo banco de reservas. O atual treinador da equipe é o uruguaio Pablo Repetto, principal mente por trás dos sucessos do Independiente del Valle nesta década. Após o vice na Libertadores 2016, o técnico passou por Baniyas e Olimpia, embora recobre o ápice mesmo em Quito. Já em campo, o elenco conseguiu se virar, mesmo depois da saída de Hernán Barcos, protagonista na conquista da Primeira Etapa. Entre os destaques estrangeiros estão o goleiro Adrián Gabbarini e o zagueiro Hernán Pellerano, argentinos tarimbados, além do atacante uruguaio Gastón Rodríguez. O colombiano Cristian Borja (ex-Flamengo) ainda chegou como reposição a Barcos, trazido do América de Cali, mas anotou apenas um gol na campanha.

Já entre os equatorianos, a LDU também recorreu a jogadores com experiência internacional. Fernando Guerrero (ex-Chapecoense) e Jefferson Orejuela (ex-Fluminense) haviam acabado de passar pelo Brasil. O artilheiro Juan Anangonó, autor de 16 gols em 35 jogos, voltou à Liga após jogar no México. Julio Angulo veio do Huracán, Anderson Ordóñez estava no Eintracht Frankfurt e Aníbal Chalá teve uma rápida passagem pelo FC Dallas. Além disso, as categorias de base albas forneceram os seus valores. Em ascensão no clube, o meio-campista Jefferson Intriago passou a ser convocado à seleção. No mesmo setor, foram peças constantes os irmãos Anderson Julio e Jhojan Julio. Um sobrenome que, por fim, se eterniza na façanha.

Levando em conta a rodagem desta mescla formada pela LDU e também o desempenho digno dos equatorianos nas últimas edições da Libertadores, dá para confiar em um bom desempenho além das fronteiras. A Casa Blanca, afinal, costuma ser um destinos mais temidos da competição continental. De qualquer forma, o futuro importa pouco quando o presente é tão valioso e marca a história do clube. Este é o time que, enfim, rompe a orfandade causada desde os períodos mais gloriosos dos Albos sob as ordens de Edgardo Bauza. A equipe que consegue tocar novamente o céu. E que garante uma lembrança dourada justamente no ano em que a instituição celebrou o seu centenário. Por si, isso já representa bastante ao futebol equatoriano.

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