Um ano se passou desde o maior escândalo da história da Fifa e o surgimento de provas do que todo mundo suspeitava não cessa. A cada dia, uma nova notícia a respeito dos envolvidos no caso do Fifagate aparece e comprova que não há, mesmo, santo nessa história. Desta vez, a Procuradoria Geral da Suíça realizou uma operação e revelou que Joseph Blatter e Jérôme Valckle embolsaram cerca de US$ 80 milhões durante os últimos cinco anos, sendo que, desse valor, US$ 100 mil teriam sido levados em cima da realização da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Por que será que eu não estou surpresa?

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Ano passado, o ex-presidente e o ex-secretário geral da Fifa foram afastados de seus cargos depois de serem acusados de cometer irregularidades dentro da entidade a qual comandavam e, depois, foram suspensos de toda atividade ligada ao futebol por seis e 12 anos, respectivamente. Na noite da última quinta-feira, 2, as autoridades suíças deram mais um passo na investigação de corrupção que envolve a entidade e colheram dados eletrônicos e documentos em sua sede, em Zurique. E o alvo foi justamente os dois dirigentes, que estiveram envolvidos em uma tentativa de acordo para enriquecer ilicitamente por meio de aumentos salariais anuais e bônus secretos na Copa do Mundo.

O procurador-geral Michael Lauber, responsável pela investigação, já havia aberto um processo penal contra os dois cartolas no ano passado, e “a busca realizada na sede da Fifa serviu mesmo para confirmar os resultados já existentes e colher mais informações acerca do caso”, como afirma assessoria do gabinete. O tal enriquecimento ilícito através de comissões teria chegado a U$ 80 milhões nos últimos cinco anos de Blatter no cargo mais alto da Fifa, segundo fontes da própria entidade. Pouca coisa, né?

Quando a gente acha que estão eliminando de vez as laranjas podres do poder do futebol mundial, a gente vê que só estão mesmo varrendo a sujeira para debaixo do tapete. O novo presidente da Fifa, Gianni Infantino, eleito para o cargo há três meses, é outro que pode ter culpa no cartório e ser mais um nome na sombra da corrupção que assola a instituição. O dirigente é suspeito de violação no código de ética.

Segundo o jornal alemão Die Welt, o Comitê de Ética da Fifa pode aplicar uma suspensão de 90 dias ao dirigente por ter mandado excluir gravações do Congresso da entidade, realizado no México, mês passado, no qual ele teve um desentendimento com o chefe do comitê de auditoria da Fifa Domenico Scala. Além disso, o suíço também teria feito o uso de aviões privados e aceitado “presentes” por parte da Adidas, que é a patrocinadora oficial da Fifa.

O Comitê de Ética da Fifa foi rápido em negar que Infantino seja alvo de qualquer inquérito e a assessoria de imprensa da Fifa explicou que os e-mails nos quais Infantino aparece cobrando que se apague a gravação do Congresso é relativa a uma cópia incorretamente arquivada. Segundo a Fifa, a gravação correta existe e está arquivada corretamente. Dada a credibilidade da Fifa, a explicação só seria aceita com a apresentação da gravação – o que, claro, não deve ser feito.

Sabe o que é mais curioso? Foi nesse mesmo congresso da Cidade do México que Infantino disse que a crise na Federação Internacional de Futebol estava terminada. Parece que só a crise dos outros, mesmo. Ou talvez nem a deles.