A data não poderia ser mais simbólica. No aniversário de dois anos da Revolução Egípcia, a sentença sobre a tragédia de Port Said foi anunciada. Uma corte egípcia condenou 21 pessoas à sentença de morte pelo massacre ocorrido em fevereiro de 2012, quando 74 pessoas foram assassinadas durante partida entre Al Masry e Al Ahly, pelo Campeonato Egípcio.

Outras 52 pessoas ainda podem ser condenadas pelo caso. Segundo o tribunal, investigações mais profundas deverão ser realizadas antes do julgamento, marcado para o início de março. Entre os acusados, estão nove agentes de segurança, além de três funcionários e 61 torcedores do Al Masry.

A condenação foi comemorada por centenas de torcedores do Al Ahly, que saíram às ruas do Cairo (veja o vídeo). Ao todo, 72 vítimas torciam pelo clube. Segundo investigações divulgadas na época, a ação orquestrada pelas forças de segurança do estádio de Port Said, que permitiram o ataque realizado pelos torcedores do Al Masry. A ação seria uma represália à participação dos ultras do Al Ahly na revolução, que culminou na queda do presidente Hosni Mubarak.

No entanto, a sentença gerou nova onde de violência no país. Familiares dos 21 condenados tentaram invadir a prisão de Port Said, onde estão os detidos. Dois policiais e 26 civis foram mortos, enquanto 280 ficaram feridos nas manifestações ocorridas neste sábado. Além disso, uma delegacia e um ônibus foram incendiados.

O Campeonato Egípcio segue paralisado por falta de condições de segurança, mas deve ser retomado após a determinação das sentenças. Segundo o presidente da federação egípcia, Mahmoud El-Shamy, a competição deverá ser disputada a partir de 2 de fevereiro, um dia após o aniversário de um ano da tragédia.