O Bayern de Munique virará uma página importante de sua história neste final de semana. Pela última vez, Arjen Robben e Franck Ribéry entrarão em campo em uma partida oficial pelo clube na Allianz Arena. Podem encerrar a jornada com o heptacampeonato na Bundesliga. E a dominância dos bávaros na competição tem muito a ver com a dupla. A qualidade técnica do “Robbéry” elevou o patamar da equipe. Foi um diferencial em centenas de partidas e também rendeu frutos na Liga dos Campeões, sobretudo pela conquista de 2013. As lesões das últimas temporadas e a queda da intensidade atrapalharam as lendas, tornando a renovação do elenco compreensível. Ainda assim, não é o adeus que apaga a grandeza de ambos.

Nenhum dos dois anunciou a aposentadoria. Aos 35 anos, Robben deixa o Bayern após dez temporadas e recebeu propostas para retornar à Holanda – inclusive do PSV, onde estourou. Ribéry também não deve ter problemas para achar uma nova equipe aos 36 anos, 13 só na Baviera. Pode voltar à França ou encher um pouco mais os bolsos em mercados alternativos. Todavia, a história imensa de ambos já está eternizada. Habilidosos e letais, certamente figurarão entre os melhores do mundo neste início de século. Uma pena que a Bola de Ouro de 2013 não tenha reconhecido o francês, assim como o holandês merecia o prêmio de melhor da Copa de 2014. Seriam complementos perfeitos à coleção de taças com os bávaros.

Ribéry e Robben tiveram os seus momentos de atrito. Chegaram a sair no braço dentro dos vestiários, em episódio nas semifinais da Champions de 2011/12, contra o Real Madrid. No entanto, logo se entenderam e cresceram com isso. Era imprevisível defender-se contra o Bayern durante o auge da dupla. Seja pelas pontas ou buscando a faixa central, o “Robbéry” destruiu ótimos sistemas defensivos e alcançou o topo, se redimindo na Champions de 2013. O francês foi o melhor da competição, embora o holandês tenha se tornado o protagonista na final contra o Borussia Dortmund, superando de uma vez por todas a fama de “amarelão”. Não merecia tal rótulo, e os anos seguintes corroboraram com o melhor de Robben.

“Sempre nos demos bem e explodimos só uma vez, mas o incidente nos fez mais fortes. Foi uma vergonha. Jogamos juntos por muito tempo e experimentamos tantas coisas. Essa briga não conta a história toda, é só uma exceção em oito anos”, declarou Robben, à Sky Sports da Alemanha em 2017. Ao que Ribéry complementou: “Às vezes isso acontece. Dias depois eu falei com Arjen e fizemos as pazes”. Melhor ao Bayern, que registrou suas maiores conquistas graças ao fortalecimento da amizade.

Já nesta sexta-feira, o site da Bundesliga realizou uma iniciativa bem bacana. Publicou uma entrevista em conjunto com Robben e Ribéry, na qual ambos falam sobre a parceira e a carreira no Bayern. Destacamos alguns trechos, vale conferir:

A homenagem realizada na Copa da Alemanha em 2015 (Alex Grimm/Bongarts/Getty Images)

Ribéry, sobre a transformação do Bayern

“Existia um estilo de jogo completamente diferente no Bayern antes. Era um grande clube, com ótimos jogadores. Mas, quando Arjen, eu e outros chegamos, trouxemos mais velocidade e dinamismo. Um tipo diferente de futebol. Claro, temos orgulho do que conseguimos. Não podemos esquecer que, quando fui contratado, o Bayern era quarto ou quinto na liga. Depois disso, ficamos fora da Champions. Então, começamos a conquistar mais coletivamente. Foi ótimo. Depois de 12 anos, é incrível o que construímos”.

Robben, sobre o legado da dupla ao Bayern

“Já falei muitas vezes que tenho muito orgulho de fazer parte deste clube e de ter conquistado tantas coisas. Quando eu cheguei, em 2009, não estávamos tão bem como estamos agora. E não digo só em campo, mas também fora dele. O desenvolvimento do clube é simplesmente incrível. A chance de testemunhar isso me deixa muito satisfeito”.

Ribéry, sobre a combinação com Robben

“Fiquei feliz quando Arjen chegou, por ter um parceiro para me ajudar na ponta oposta. Foi bom para mim, porque os adversários nunca sabiam o que estávamos prestes a fazer: atacar pela esquerda ou pela direita. Foi excelente”.

Robben, sobre os estilos de jogo

“Temos muitas semelhanças, mas também diferenças. Podemos ver através das estatísticas. Ele provavelmente tem mais assistências, enquanto eu marco mais gols. Entretanto, temos a mesma atração pelo ataque, criarmos chances, partirmos para cima dos adversários. Acho que ambos queremos ganhar, seja no treino ou no jogo. Ao mesmo tempo, continuamos nos divertindo em campo”.

Robben, sobre a consideração por Ribéry

“Não quero parecer muito emotivo, mas foi realmente uma honra jogar com ele. Tenho muito respeito, porque sei que ele trabalhou muito para chegar onde chegou. Ele lutou e, pelo que conseguiu na carreira, só posso tirar o chapéu. […] Nossa relação se desenvolveu positivamente ao longo destes anos. Desde o primeiro dia, estava claro que nos daríamos bem, tínhamos a mesma paixão pelo futebol e um estilo parecido. Jogar juntos funcionou bem para nós dois. Curtimos em campo e marcamos muitos gols. Uma pena que as lesões tenham dificultado nossa presença em conjunto nos últimos anos”.

Ribéry, sobre a consideração por Robben

“Com Rob disse: a vida não acontece por si só. É necessário muito trabalho. Você precisa se empenhar. Ele é um ótimo exemplo. Desde que chegou, eu observava seus treinos todos os dias. É incrível seu preparo físico. Então eu me perguntava como poderia fazer o mesmo todos os dias. Tem a ver com a mentalidade dele. Você não pode entrar em campo e esperar que seja fácil, você precisa trabalhar todos os dias e estar concentrado. Ele é um grande exemplo aos mais jovens”.