Nem todos se lembram, mas o Junior de Barranquilla esteve presente na Copa Libertadores de 2017. Foi mero figurante, derrotado pelo Atlético Tucumán na terceira fase preliminar e redirecionado à Copa Sul-Americana. Durante os últimos meses, porém, os Tiburones atravessaram uma revolução. Passaram a investir de maneira muito mais sistemática no mercado e chegaram à semifinal do torneio secundário da Conmebol. Agora, enfim, ganham uma chance no principal palco do continente. Passando por desafios duríssimos nas etapas classificatórias, o clube colombiano entra respaldado na fase de grupos.

Na segunda etapa preliminar, o Junior protagonizou um dos melhores confrontos da Libertadores até o momento. Foram dois jogos bastante parelhos contra o Olimpia, nos quais os alvirrubros precisaram se superar para buscar a classificação em Barranquilla, após a derrota no Defensores del Chaco. Já na atual etapa, o desafio era o Guaraní, outro time tarimbado no torneio continental durante os últimos anos. Mesmo espremendo o Cacique, os Tiburones conquistaram uma vitória magra na Colômbia, 1 a 0 no placar. Já nesta quinta, confirmaram a passagem ao segurarem o 0 a 0 em Assunção, no qual o goleiro Sebastián Viera foi fundamental.

No papel, o Junior talvez possua o melhor elenco da Libertadores fora de Brasil e Argentina. Teo Gutiérrez tem muita experiência internacional e Yimmi Chará voa baixo desde que desembarcou em Barranquilla. Além disso, há outras peças notáveis – como o próprio Viera, Jonathan Álvez, Marlon Pedrahita e Victor Cantillo. Há algumas deficiências defensivas, especialmente no jogo aéreo, e o treinador Alexis Mendoza reinicia seu trabalho no clube. Ainda assim, pelas alternativas e pela velocidade imprimida no ataque, há boas armas para ir longe.

Depois das preliminares, de qualquer forma, a exigência grande se mantém na fase de grupos. O Junior não avança aos mata-matas desde 2011, e terá trabalho se quiser quebrar o jejum desta vez. A princípio, o Alianza Lima é o azarão no Grupo 8. A missão dos Tiburones será desbancar Palmeiras e Boca Juniors, adversários de investimento ainda maior, além de uma pressão pelo sucesso continental. A classificação não será simples. Se acontecer, já marcará uma campanha histórica dos colombianos.