Não há hora certa para fazer gol, mas certamente há momentos em um jogo que tornam o peso do gol muito maior do que outros. E isso é fácil de provar. O jogo do Fluminense contra o Vasco, na reabertura do Maracanã para jogo de clubes, teve como uma das suas atrações a volta de Juninho Pernambucano ao clube da Colina. Em duas jogadas, o reizinho conseguiu decidir o jogo. E nos dois momentos, os gols exerceram um papel psicológico importante, o que foi determinante para o resultado do jogo.

Juninho voltou ao time para dar aquilo que faltava ao meio-campo do Vasco: qualidade. Não faltava vontade, mas o passe não era a melhor característica do time. Com ele, melhorou consideravelmente nesse quesito. Aliás, não só nos passes. Quando o Edinho afastou mal a bola e Pedro Ken cruzou rasteiro para a área, Juninho aproveitou a chance, livre dentro da área, para bater com a categoria habitual e abrir o placar. Naquele momento, o Fluminense estava bem postado em campo. O gol de Juninho veio como um golpe no time, que precisaria agora correr para virar o jogo.

Não demorou muito para Fred, ídolo e capitão do Flu, cometer a bobagem de revidar um lance e ser expulso. Aí a missão ficou ainda mais difícil. E é aquela coisa: não tem hora certa para marcar um gol, mas colocar a bola na rede com menos de um minuto de jogo no segundo tempo é um duro golpe nas pretensões do time que já estava perdendo. O Vasco abriu 2 a 0 contando, claro, com Juninho. Foi dele o passe preciso para André tocar por cima do goleiro.  Com menos de um minuto, tudo que Abel Braga disse no vestiário possivelmente foi para o ralo. Então, fazer 2 a 0 seria bom para o Vasco a qualquer altura, mas nessa situação, foi melhor ainda.

Os próprios jogadores do Fluminense admitiram que o gol levado nos primeiros segundos da etapa final desanimou o time. É natural. O desenrolar do jogo foi uma pressão grande do Flu, o gol que diminuiu o placar, outra expulsão tricolor e o gol derradeiro do Vasco, que foi o golpe de misercórdia. Mas tudo tem a ver com o que Juninho fez antes, com a forma como ele foi decisivo. Méritos também para Dorival Júnior, técnico que em pouco tempo parece ter conseguido arrumar um time que parecia forte candidato ao rebaixamento. Ainda há muito a fazer e o próprio Dorival disse isso depois do jogo, mas é visível que o Vasco melhorou. E olha que com os jogadores que têm, a perspectiva não era muito boa.

Juninho parece ter chegado ao Brasileirão para reforçar o time de veteranos que protagonizam o campeonato. Aos 38 anos, o meia aumenta a lista que já tem Zé Roberto (também com 38 anos), Seedorf (37), Alex (35) e Forlán (34). Todos jogadores importantes e decisivos para seus times até aqui. Aliás, Alex, do Coritiba, tem sido o craque do campeonato. Apesar de meio-campista, é artilheiro. Já marcou quatro gols. Maxi Biancucchi, com seis, e Forlán, com cinco, lideram a artilharia. Juninho mostrou o que esses outros veteranos estão mostrando durante o campeonato: como é importante ter poder de decisão. Foi exatamente o que o Fluminense não teve.

Força defensiva do campeão brasileiro desapareceu

O Fluminense de 2012 se caracterizou por vencer jogos mesmo quando não jogava bem. Naquelas noite de domingo que o time entrava parecendo não estar inspirado, sem criar muito, via Fred ser mortal na frente, Diego Cavalieri salvar atrás e o time conseguia a vitória, mesmo que por pouco. Em 2013, o time á ainda mais raçudo, continua tendo um elenco qualificado e até faz boas partidas. Mesmo assim, não consegue vencer. Acumula erros defensivos e chegou à quarta derrota consecutiva contra o Vasco no Rio. O que aconteceu?

O tricolor continua sendo um dos melhores times do Brasil em termos de elenco. Mas, em campo, o que se vê é um time incapaz de decidir os jogos, mesmo quando joga bem. Não há muita variação e a defesa, ao contrário do ano anterior, não consegue ser consistente como no ano passado. Muitos erros individuais, muitos problemas de marcação. Os dois primeiros gols sofridos contra o Vasco mostram um time mal posicionado, deixando espaços que se mostraram fatais.

Abel Braga tanto sabe disso que, no intervalo, quando o jogo estava ainda em 1 a 0 para o Vasco, que “a defesa do Fluminense estava tomando muito gol”. O Flu precisa mudar. Não o técnico, mas a forma de se defender. E não se pode ter dois jogadores expulsos em um jogo desse. Ainda mais o que foi o lance de Fred, no primeiro tempo, por um revide infantil. O Flu não mostra força de quem brigará pelo título. Ainda é cedo, o time pode se recuperar para tentar o bicampeonato consecutivo. Por enquanto, o que se vê é um time que não consegue decidir. E isso é grave. Em 2010, Conca foi esse jogador. Em 2012, Fred e Dievo Cavalieri. Sem alguém que decida e com tantos erros defensivos, não é possível para esse Flu ser o time forte e campeão da temporada passada.