O fim de carreira foi cruel com Júlio César. Principalmente com sua imagem. Falhas, lesões e aquele jogo em que levou sete gols da Alemanha podem passar a impressão errada de que o Imperador não foi um grande goleiro. E não foi mesmo apenas um grande goleiro: em seu auge, Júlio César foi excepcional e passou anos, na era de Buffon, Casillas e companhia, como o melhor bloqueador de chutes do mundo. Uma trajetória que está aproximando-se do fim.

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Nesta terça-feira, Júlio César, 38 anos, despediu-se dos seus companheiros de Benfica e, segundo o UOL, seu contrato já foi rescindido. A família dá indícios de que o goleiro deve se aposentar, mas ainda nada foi confirmado. Em seu discurso, falou em “fim de viagem”, sem especificar se estava se referindo aos Encarnados ou à carreira. Precisou parar de falar para chorar. Cumprimentou cada um dos seus companheiros e, no fim, foi atirado à piscina.

“Só quem veste esta camisa realmente sabe o quão gratificante é participar deste clube, com tantos títulos que eu, juntamente com vocês e outros que foram embora, ajudei a conquistar. A viagem para mim termina aqui, mas vocês continuam. Podem ter a certeza de que lá fora vai estar um cara, um parceiro, um companheiro, que torcerá muito por cada um de vocês”, disse.

E foram muitos títulos, principalmente na Europa. Levou cinco scudettos e uma Champions League pela Internazionale, justamente no período em que foi o melhor goleiro do mundo. Após a Itália, passou por um período de incertezas, quando defendeu o Queens Park Rangers e o Toronto, da Major League Soccer, antes de chegar ao Benfica, em 2014.

No Estádio da Luz, voltou a mostrar que é um vencedor, com três títulos portugueses. Apenas as lesões impediram que fosse titular nas suas duas primeiras temporadas. Mas elas abriram espaço para ascensão de Ederson e, no último ano, Júlio César teve menos oportunidades, mesmo com a saída do seu compatriota para o Manchester City. Na atual temporada, atuou apenas quatro vezes. A última foi contra o Marítimo, em 1º de outubro, quando realizou esta defesa, que, caso Júlio César encerre sua carreira, será também o último jogo da vida de um dos melhores goleiros da sua geração.


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