Em Portugal, torcedores e imprensa esportiva não têm o costume, tão frequente no Brasil, de dar a um técnico que gosta de criar invenções o apelido de Professor Pardal. Se a tradição existisse, o técnico do Porto, Julen Lopetegui, certamente já teria recebido o apelido.

Mas, lá como cá, há pressão sobre o treinador que não consegue resultados. E também existem críticas sobre a maneira dele trabalhar, ainda mais se muitas vezes inventa soluções que estão no limite entre a criatividade e a loucura – e que em nada ajudam. Se não admitir as próprias falhas e transformar as entrevistas coletivas em momentos para criticar jornalistas, então, o cenário está montado para que o treinador não consiga ter uma vida tranquila.

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Lopetegui é o Professor Pardal da vez em Portugal. A eliminação na Liga dos Campeões, com derrotas seguidas para Dynamo Kiev e Chelsea (as únicas em toda a temporada, aliás) foi o estopim para que torcida e mídia perdessem a paciência com o treinador, que já vinha de uma temporada contestada.

Contra o Chelsea, o espanhol fez seu 72º jogo no comando do Porto. E pela primeira vez abriu mão de jogar com um ponta de lança. Diante de outros adversários, trocou jogadores de posição, fazendo com que vários deles atuassem quase sem experiência alguma no setor, em funções para as quais pouco tinham treinado.

Na imprensa esportiva portuguesa, parece não haver dúvidas de que o treinador é o grande culpado pelo momento delicado do time. No dia seguinte à queda na Liga dos Campeões (o Porto ficou em terceiro no seu grupo e vai jogar a Liga Europa), os três grandes jornais esportivos do país carregaram na tinta contra o técnico.

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As palavras mais pesadas couberam ao jornal A Bola. “O plano Lopetegui foi desastroso, até mesmo ridículo”, escreveu em editorial, completando ainda que o treinador “achou que podia reinventar o futebol”. O Jogo e Record também não pouparam nas críticas.

A pressão sobre o técnico ficou clara também no protesto que torcedores quando do retorno da delegação de Londres. Em plena madrugada, eles foram ao aeroporto e pediram a cabeça de Lopetegui.

Apesar disso, o técnico parece não querer dar o braço a torcer. Assim como aconteceu na última temporada, ele continua sendo sarcástico e, por vezes, mal educado com jornalistas. Ledo engano de quem achou que, com as críticas que recebera em 2014/15, seu comportamento mudaria.

Há ainda dúvidas sobre como está o ambiente do grupo de jogadores. Um exemplo é a reprovação que Brahimi não escondeu ao ser substituído, recentemente, numa partida pelo Campeonato Português.

O fato é que a corda está cada vez mais a ponto de estourar para o lado de Lopetegui. E só um título, seja o nacional, seja o da Liga Europa, pode salvar o emprego do treinador.