Judoca que venceu Mayra denunciou treinador por abuso sexual

Kayla Harrison, a judoca norte-americana que ganhou ouro nos 78 quilos, derrotando Maira Aguiar na semifinal, já venceu outra grande batalha em sua vida. Há dois anos, ela denunciou seu treinador Daniel Doyle por abuso sexual. Ele admitiu a culpa e pegou dez anos de prisão. Kayla contou ao The Daiy Telegraph como conheceu Doyle.

“Ele era um amigo da minha mãe, cuidava de mim, de minha irmã e de meu irmão. Era alguém que frequentava os churrascos da família”, disse. E além disso, foi seu primeiro professor de judô, aos seis anos. Com 15 anos, já havia vencido dois campeonatos nacionais e já era abusada por Doyle. “Era devastador. Quando eu era jovem, ele disse que ninguém poderia saber do que acontecia entre nós. Eu sabia que era errado, mas pensava que ele me amava e que eu o amava também”.

Kayla, sob muita pressão, pensou em cometer suicído. “Era uma garota e meu mundo girava em torno de Daniel. Ele era meu sol. Tudo o que eu queria era agradá-lo, mas infelizmente ele se aproveitou para tomar vantagem. Durante esses anos, eu estava emocionalmente quebrada e muito deprimida. Pensei em cometer suicídio e cheguei em um ponto em que não aguentava mais”.

Ela contou para um amigo judoca, Aaron Handy, que contou à sua mãe. E ela denunciou Daniel à polícia. E a vida de Kayla começou a mudar. Ela se mudou de Ohio para Boston – a 1400 quilômetros de distância – e foi treinar com Jimmy Pedro e seu pai, “Big Jim”, muito respeitados nos EUA. “Um dia, ele me disse, garota eu sei o que aconteceu com você, mas isso não define quem você é e algum dia você precisa mudar de vida. Eu acreditei. E quando Daniel foi condenado, foi um dia ruim para mim, mas foi o dia da virada também”.

Hoje, Kayla é noiva de Aaron, o amigo que a ajudou a contar o caso para sua mãe. E se considera uma judoca muito forte mentalmente. “Eu tenho certeza absoluta que não há nenhuma jucoca mais forte do que eu. Eu não tenho medo”.

E agora ela pode ver que se concretizou o que disse ao jornal inglês. “Quando eu olho para trás e vejo aquela garotinha que fui, me sinto muito triste por ela. Eu ainda posso vê-la. Eu ainda poso ve-la chorando e não sabendo como escapar. Mas eu estou feliz por ela porque eu sei que ela teve coragem de dizer que não queria mais ser abusada. Hoje, ela está noiva, mora em uma linda cidade com praia e está caminhando para a glória olímpica”.