Você estava achando que não íamos mais fazer a avaliação dos sanduíches da Copa do McDonald’s? Achou errado, otário! Tradição é tradição, e a equipe da Trivela não poderia perder a oportunidade de fazer um esforço de reportagem e comer todos os lanches (sanduíche + batata frita especial) temáticos do Mundial de 2018. Afinal, a insalubridade das condições de trabalho já faz parte do nosso dia a dia, nada como tornar a parada do almoço em algo também pouco saudável.

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Para este ano, a linha futebolística do McDonald’s (recebeu nome de “Sanduíches Campeões”) teve polêmica. A Itália, uma nação sempre representada pela lanchonete nessas ocasiões, não conquistou a vaga no campo. No final, a rede norte-americana usou a temática de campeões mundiais para justificar um McItália, desperdiçando uma ótima oportunidade de deixar de lado a lista de campeões — que já ficou repetitiva e ainda obriga a criação de receitas parecidas para Uruguai e Argentina e pouco interessantes como da Inglaterra — para apostar em nações diferentes e de grande potencial gastronômico, como Marrocos, México, Portugal, Austrália ou Peru.

Outra questão a se discutir é a escolha da rede de fazer todos os sanduíches dentro do perfil da linha Signature, que se propõe mais gourmet. Assim, os Sanduíches Campeões são todos grandes e pesados, feitos para encher a barriga do mais esfomeado. OK, comer mais do que o necessário não é algo fora da rotina de muita gente, mas não há mais tanta variação entre um lanche e outro, como já vimos em Copas anteriores, desde a carne (costelinha, hambúrguer, calabresa, frango) até o formato do pão. As variações ficam mais em cima de um molho e de um complemento, mas a base (pão e carne) se repetem.

De qualquer modo, nós estaríamos mentindo se disséssemos que foi um sacrifício. Abaixo vão nossas avaliações, e ler tudo chega a dar uma vontade de repetir algum. Vício é fogo…

Obs.: A descrição dos ingredientes é a anunciada oficialmente pelo McDonald’s

McBRASIL


Dia da semana:
 todos
Ingredientes: dois hambúrgueres, queijo típico brasileiro, mix de folhas, bacon e maionese verde no pão de brioche
Fritas especiais: nenhuma (pode pedir a do sanduíche campeão do dia)

Tite mudou bastante a cara da seleção brasileira. Aquele futebol pesado e lento dos tempos de Dunga deu lugar a um jogo mais leve e criativo. O McBrasil não seguiu a mesma tendência. O sanduíche não é ruim. São dois hambúrgueres, mais um terceiro hambúrguer que é um queijo coalho empanado (queijo empanado é sempre bom) e bacon (que é sempre bom também). Mas falta sutileza na combinação. São quatro componentes fritos e gordurosos, com apenas o mix de folhas (escasso nas duas degustações da reportagem, em dias e unidades diferentes) e a maionese para equilibrar. Não deu. Apesar de bom, ficou pesado. Mais ou menos como um time de marcação forte que apela sempre para as mesmas jogadas de bola parada porque sabe que tem dois atacantes matadores que vão resolver. Colocar mais leveza, talvez com uma fatia de tomate no lugar de um dos hambúrgueres, deixaria o time com mais variações de jogada como tirar um dos centroavantões para usar um meia que aparece bem na frente. Ou então apostar em coisas ainda mais diferentes, como hambúrguer de calabresa, caminho muito utilizado para o McBrasil em Copas anteriores. [Ubiratan Leal]

O McBrasil (Foto: Ubiratan Leal)

McFRANÇA

Dia da semana: segunda
Ingredientes: cogumelos caramelizados, dois hambúrgueres, queijo emental, mix de folhas, cebola crispy e Melt Brie no pão com gergelim
Fritas especiais: batatas rústicas com molho Melt Brie e bacon picado

Não sou um grande fã de cogumelos, mas é inegável que eles fazem parte da cultura gastronômica francesa e faziam sentido dentro de um sanduíche que homenageava o país. Portanto, era inviável degustar o McFrança sem comer os champignons. E não foi um resultado ruim. Dá uma textura e um sabor próprio dentro dessa linha de lanches da Copa. O Melt Brie, nome meio forçado para um molho de brie que ajuda a dar uma sensação de cremosidade em cada abocanhada. No geral, não chega à disputa como favorito, mas ganha pontos por respeitar o estilo de jogo de seu país. Ah, e as batatas fritas especiais são as melhores da Copa. [UL]

McFrança (Foto: Ubiratan Leal/Trivela)

McESPANHA

Dia da semana: terça
Ingredientes: queijo muçarela, dois hambúrgueres, mix de folhas, tomate, copa fatiada e maionese de oliva no pão de brioche
Fritas especiais: batatas rústicas com molho de maionese de oliva e bacon picado

A Espanha está na moda, tanto no futebol quanto na gastronomia. Chegou a esse estágio sabendo trabalhar a produção de talentos próprios, abusando da criatividade e contestando as ideias pré-estabelecidas. Mas o McEspanha acaba mostrando mais a fase anterior, da Fúria. É um sanduíche que joga com raça e até tem um certo nível de competitividade, mas falta o talento para fazer a diferença. Em teoria, a copa faz isso. Tem um bom sabor e dá um tom salgado interessante. O problema é que ela toda pode ir embora após uma mordida. Aí, fica como a seleção espanhola antes do tiki-taka, dependendo de um craque genioso como Raúl para ter um diferencial. Sem a copa, o McEspanha parece um genérico ainda não acabado da linha Signature de sanduíches metidos a gourmet do McDonald’s. [UL]

O McEspanha (Foto: Ubiratan Leal/Trivela)

McALEMANHA

Dia da semana: quarta
Ingredientes: cebola caramelizada, 2 fatias de queijo emental entre dois hambúrgueres, bacon, tomate e mostarda rústica no pão com gergelim
Fritas especiais: batatas rústicas com molho de maionese e bacon picado

Digamos que não se trata de um candidato ao título mundial. Tem um coletivo forte, com cada ingrediente cumprindo sua função. Os hambúrgueres e o pão compõem uma base sólida, as cebolas caramelizadas fornecem a crocância. Se existe uma estrela na companhia, é a mostarda rústica, que transforma um sanduíche meramente OK em uma refeição mais gostosa. O acompanhamento mantém o nível. Tem bacon, como todas as batatas rústicas da Copa, uma decisão muito boa do McDonald’s. O molho de maionese é um toque especial e, quando ele se junta ao bacon na mesma batata, temos um golaço. [Bruno Bonsanti]

McAlemanha, na vida como ela é (Foto: Ubiratan Leal/Trivela)

McURUGUAI

McUruguai (Foto: divulgação)

Dia da semana: quinta
Ingredientes: duas fatias de queijo emental entre 2 hambúrgueres, copa fatiada, cebola crispy e maionese chimichurri no pão de brioche
Fritas especiais: fritas tradicionais com molho de maionese chimichurri e bacon picado

Você pensa no ‘Paysito’ e o desejo por uma carne suculenta já enche a boca de água. O Francescoli do McUruguai, entretanto, não se concentra apenas nos dois hambúrgueres que preenchem o pão de brioche. A força da Celeste está no trio bem entrosado formado pelas carnes em conjunto com o queijo e com o molho, tal qual Suárez-Cavani-Forlán compartilhando a boa forma. O emental derretido potencializa o sabor e deixa o lanche cremoso. Já a maionese chimichurri, por mais que não seja um chimichurri de verdade, evoluiu em relação à última McCopa e sua picância atinge o paladar na medida certa, como uma cobrança de falta de Recoba. Aliás, é o molho o verdadeiro charme das fritas, muito mais que o bacon. Mas, se os charruas têm seus poréns no time, não seria diferente ao McUruguai. A cebola crispy perde sentido em meio à textura pastosa, tão (in)útil ao sanduíche quanto Cristian “Cebolla” Rodríguez entre os titulares; a copa é um Lodeiro fora de sintonia, saindo inteira quando abocanhada; e o pão estava um tanto quanto borrachudo, embora eu atribua isso à falta de sorte, não ao Maestro Tabárez que imaginou o lanche. A fórmula perfeita ao McUruguai, como sempre foi à Celeste, seria cortar estes excessos e confiar nos protagonistas – quem sabe, com uma carne especial na composição dos hambúrgueres. Luisito daria boas dentadas, mas o potencial Rodolfo Rodríguez é apenas um Muslera. Iria ao Mundial depois de passar pela repescagem. [Leandro Stein]

McUruguai como ele é (Foto: Leandro Stein/Trivela)

McINGLATERRA

McInglaterra (Foto: divulgação)

Dia da semana: sexta
Ingredientes: duas fatias de queijo emental entre dois hambúrgueres, picles, fatias de bacon, cebola crispy e molho barbecue no pão com gergelim
Fritas especiais: fritas tradicionais com molho cheddar e bacon picado

O futebol da seleção inglesa cresceu quando deixou de lado o estilo tradicional do país para usar um futebol mais técnico, com mais bola no chão. O McInglaterra vai pelo mesmo caminho. Emental é um queijo suíço (e o McDonald’s nem teria muito trabalho em usar o queijo inglês mais famoso: o cheddar), picles é um elemento típico dos Estados Unidos, bacon não é algo especialmente britânico (o rosbife seria muito mais) e molho barbecue nos remete muito mais ao Texas ou à Carolina do Norte do que a Liverpool ou Londres. Mas esse sanduíche que só leva a Inglaterra no nome até que ficou bom. Meio pesado, meio sem novidades, mas surpreende e funciona mais que a seleção que foi lanterna de seu grupo na Copa de 2014. [UL]

McInglaterra como ele é (Foto: Ubiratan Leal/Trivela)

McARGENTINA

McArgentina (Foto: divulgação)

Dia da semana: sábado
Ingredientes: duas fatias de queijo cheddar entre 2 hambúrgueres, bacon, tomate, alface crespa e maionese chimichurri no pão de brioche
Fritas especiais: batatas rústicas com molho de maionese verde e bacon picado

A primeira coisa que faço antes de comer qualquer sanduíche é tirar o tomate. Mas, em nome da investigação jornalística, dei uma mordida com tomate antes de retirá-lo para poder separar minha degustação entre os períodos AT (antes do tomate) e DT (depois do tomate). O DT venceu, com sobras. A melhor maneira de visualizar o McArgentina é como um campo minado de sabores. Há pedaços de bacon espalhados na superfície do hambúrguer, de modo que cada mordida é uma surpresa. Algumas contam com carne – claro que o McArgentina é de carne – molhada em um excelente chimichurri, outras com carne molhada em um excelente chimichurri e pedaços de bacon que explodem na boca. Não há opção ruim. Também há bacon nas batatas típicas, temperadas com molho de maionese verde. Há bacon em todo lugar e, onde há bacon, não pode haver tristeza. Parece que o McArgentina, campeão de vendas da Copa do Mundo de 2014, vem forte novamente. [BB]

McITÁLIA

McItália (Foto: divulgação)

Dia da semana: domingo
Ingredientes: queijo muçarela, polpetone, tomate, pepperoni e melt de muçarela com tomate seco no pão de brioche
Fritas especiais: fritas tradicionais com molho de muçarela com tomate seco e bacon picado

Foi a grande polêmica dos sanduíches da Copa. Afinal, a Itália não vai ao Mundial, mas oferece toda uma tradição gastronômica tentadora ao McDonald’s. No final, a lanchonete virou a mesa e deu uma vaga aos italianos. Os critérios esportivos foram feridos fortemente, mas papilas gustativas agradeceram. Em uma competição que não primou pela criatividade e variedade no estilo de jogo dos participantes, o McItália veio falando alto. Só de deixar o hambúrguer de fora para aparecer com polpetone (carne empanada com recheio de queijo) já mostrou que a Azzurra dos fast foods veio com um meio-campo de talento que nos lembra Baggio, Pirlo e Del Piero. Nada do time sem imaginação de Giampiero Ventura que não conseguiu passar pela Suécia na repescagem. O peperoni é como Inzaghi: meio atrapalhado, meio sem jeito, mas sempre guarda um gol. O resto era só não estragar o jogo, e de se defender os italianos entendem. Como na Eurocopa de 1992, o título ficou com uma seleção que não passou pelas Eliminatórias e ganhou a vaga em cima da hora. [UL]

McItália como ele é (Foto: Ubiratan Leal/Trivela)


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