Horas antes da partida em Turim, a matriz espanhola do jornal El País publicou uma coluna escrita por Jordi Cruyff. E as palavras do herdeiro do gênio, de certa maneira, se tornaram proféticas diante do que o Ajax alcançou contra a Juventus. Se não teve o talento de seu pai, Jordi possui uma clareza de pensamentos parecida. Destacou justamente as características que valeram aos Godenzonen em mais um confronto de Liga dos Campeões. Que levaram o time de Erik ten Hag, repleto de jovens jogadores, a uma semifinal depois de 22 anos. Colocações que ecoam ainda mais com a façanha dos holandeses.

Nesta quarta-feira, a versão brasileira do El País traduziu a coluna de Jordi Cruyff, reescrevendo alguns trechos. Abaixo, destacamos dois parágrafos de enorme peso para entender a filosofia que circunda a Johan Cruyff Arena. Fica o convite para a leitura completa de um texto imperdível, por dizer tanto sobre aquilo que se pensa e se pratica em Amsterdã.

Clique aqui para ler o texto completo. Abaixo, as citações de Jordi Cruyff:

“Na base do Ajax há uma máxima inculcada na cabeça dos garotos desde o primeiro dia: ‘Se for tímido aqui, as coisas serão complicadas’. Cultivam uma arrogância futebolística no bom sentido: somos o Ajax e este é o nosso estilo. É preciso ser valente. E essa atitude deu como fruto gerações de jovens atrevidos, atléticos e dinâmicos, curtidos em nível máximo de exigência, com uma filial na segunda divisão holandesa que aprende a competir a passo forçado. Muitos surpreenderam-se com o atrevimento desses jogadores que golearam o Real Madrid e encararam de igual pra igual a Juventus de Cristiano Ronaldo. A tomada de assalto ao Santiago Bernabéu não foi uma exceção, porque jogar com ousadia e ímpeto ofensivo faz parte de seu DNA. O Ajax tem um estilo de jogo inquebrantável, que conta com a lealdade a ferro e fogo de sua torcida, orgulhosa da valentia do time, mas também é fiel a um modelo de administração”.

“Muita gente me pergunta se este Ajax é uma homenagem a meu pai. Sinceramente, não me atreveria a tanto. O melhor tributo que puderam oferecer foi batizar a Johan Cruyff Arena com seu nome. Mas, sim, há elementos desta equipe que faziam parte de seu credo futebolístico: estilo, base, juventude, valentia e gestão nas mãos de ex-jogadores, representada agora na figura do diretor-geral, Edwin Van der Sar, ou do diretor-executivo, Marc Overmars, e, em um passado recente, Dennis Bergkamp como auxiliar ou Wim Jonk nas categorias de base. Estou seguro de que ele se sentiria orgulhoso desta geração que desbancou a Juventus em seus domínios do mesmo jeito que tem feito até agora: sem medo”.