O início desta história começou há 22 anos, ainda nas categorias de base do Chelsea, em uma época na qual o clube era mero figurante na Premier League. Enquanto se formava, John Terry viu o time do final dos anos 1990 retomar as glórias, brilhando nas copas. Aos poucos, o garoto da base se tornaria útil no elenco, ganhando espaço após um breve empréstimo ao Nottingham Forest. Não demorou a se firmar entre os titulares. E caberia a ele, parte dos Blues desde a adolescência, liderar a revolução vivida em Stamford Bridge. Nem todo o dinheiro de Roman Abramovich seria capaz de encontrar um zagueiro que se encaixasse tão bem na filosofia dos londrinos. Que assumisse a braçadeira da mesma maneira e se colocasse, a partir do que recebeu do Chelsea, entre os melhores de sua época. Terry conseguiu. Por tudo o que fez e representa, deixa uma lacuna, ao encerrar sua história de 22 anos no clube.

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O anúncio desta segunda-feira era bastante esperado. O Chelsea confirmou que Terry não renovará o seu contrato, em despedida que já havia sido adiada. Aos 36 anos, sua importância no elenco de Antonio Conte vem mais por sua figura do que propriamente por seu futebol. Ao longo da campanha na Premier League, entrou em campo apenas cinco vezes. Já não demonstra a firmeza e a capacidade física de outros tempos, embora permaneça como uma referência do DNA dos Blues. A não ser que aconteça uma reviravolta muito grande, deve erguer a taça pela quinta vez, naquele que será o seu 17° título como profissional pelo clube.

Terry se envolveu em diversas controvérsias durante os anos de carreira, assim como teve altos e baixos dentro de campo. De qualquer maneira, não se pode perder de vista o grande zagueiro que foi em seu auge. Uma verdadeira fortaleza, que não só desempenhava o seu papel na defesa, como também contribuía no ataque por sua qualidade no jogo aéreo. O Chelsea contou com ótimos sistemas defensivos durante suas principais campanhas. Ainda assim, dependeu do coração que pulsava no miolo de zaga. As atuações combativas na Liga dos Campeões de 2011/12, que encaminhou o maior sonho dos Blues, simbolizam a aura do camisa 26, por mais que o auge de sua forma tenha sido na década anterior. E ele permaneceu fundamental até 2014/15, aos 34 anos, presente em todos os jogos da reconquista da Premier League sob as ordens de José Mourinho.

O adeus de Terry, por fim, encerra a era dos “senadores” do Chelsea. O zagueiro apaga a luz de uma geração que está gravada no livro de ouro dos Blues – seja pelos feitos, seja pela idolatria, seja pela influência. Frank Lampard, Didier Drogba e Petr Cech deixaram Stamford Bridge com seus rostos estampados como uma marca no passado do clube. Terry, o principal destes líderes, até pela energia oferecida dentro e fora de campo, abre o caminho de vez para que o poder seja ocupado por outros jogadores. Não sem antes viver mais uma conquista.

“O clube e eu sempre tivemos uma relação fantástica, que continuará além dos meus tempos de jogador. Tivemos conversas positivas, mas, com tudo foi tomado em consideração, eu decidi que esta é a hora certa para sair. Eu sempre tive consciência de que deixaria o clube na hora certa, do jeito certo, e sinto que o fim da temporada é o tempo certo para o clube e para mim”, declarou Terry, em sua carta de despedida. “Palavras não podem descrever o amor que eu tenho pelo nosso clube e por nossos torcedores maravilhosos. Eu gostaria de agradecer a cada um do fundo do meu coração pelo apoio inacreditável demonstrado a mim ao longo dos anos. Vocês significam tudo para mim e cada troféu nós conquistamos juntos”.

No entanto, Terry indicou que, mesmo longe do Chelsea, sua carreira continua. Ainda sente que pode oferecer a sua contribuição – no que se especula, neste momento, em um clube menor ou em uma liga mais fraca. Um caminho natural para quem, apesar de tudo o que conquistou em Stamford Bridge, segue desejando novos desafios. A trajetória do capitão pelos Blues é insubstituível. Nela, reside a certeza que o camisa 26 está na história. Afinal, muito graças aos seus serviços é que o Chelsea também se eternizou um pouco mais.