Se você olhar bem para a capa de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, ele está lá. Entre Einstein, Freud e outras personalidades, há um jogador de futebol: Albert Stubbins, centroavante do Liverpool entre as décadas de 1940 e 1950, vestindo a camisa vermelha. Se você ouvir a letra de Dig It, uma das faixas de Let It Be, a menção também está lá. Ninguém menos do que Matt Busby é citado na letra, assim como Doris Day e BB King. Lembrança não exatamente ao técnico lendário do Manchester United, mas ao atacante do Liverpool que disputou mais de 100 jogos pelo Campeonato Inglês.

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A verdade sobre a relação dos Beatles com o futebol é bastante nebulosa. Os músicos podiam não ser tão fanáticos assim pelo esporte, mas era impossível passar incólume em uma cidade na qual a paixão por seus clubes está impregnada na atmosfera. Paul McCartney seria o mais ligado deles, embora diga que seu coração se divida entre o azul e o vermelho. John Lennon, por sua vez, tinha raízes em Anfield. Não tão profundas, é verdade, longe de frequentar as arquibancadas ou mesmo acompanhar o dia a dia do time. Mas a presença de Stubbins na capa do disco e a menção a Matt Busby na canção teriam o seu dedo. Muito por conta da influência de seu pai.

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Alfred Lennon nasceu em Liverpool e foi contaminado pela paixão aos Reds. E o gosto pelo futebol respingou no pequeno John, ainda que não tenha perdurado em sua fase adulta. Prova disso esta representada de maneira sutil na capa de um dos álbuns de sua carreira solo. O ex-beatle lançou Walls and Bridges em 1974. E, em parte da ilustração, há um desenho que fez quando tinha apenas 11 anos, em junho de 1952. Retratou uma partida de futebol.

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Pois aquele desenho não representava um jogo qualquer. Conforme aponta Brian Phillips, no blog The Run of Play, aquele foi um dos principais duelos realizados na Inglaterra em 1952. Basta olhar para os uniformes dos jogadores para reconhecer: é uma gravura da final da FA Cup, realizada em maio, entre Newcastle e Arsenal. As camisas são idênticas às usadas pelos times naquela decisão. Jogo que teve 100 mil nas arquibancadas em Wembley e marcou um dos últimos títulos dos Magpies, que venceram por 1 a 0. O chileno George Robledo anotou o gol derradeiro.

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O desenho, inclusive, é muito parecido com uma das fotos tiradas naquela final. Nela, o goleiro George Swindin realiza uma defesa arrojada após cabeçada de Jackie Milburn. O centroavante foi um dos maiores ídolos do Newcastle, disputando 353 partidas pela liga entre 1943 e 1957. Vestia a camisa 9, número que tinha grande simbolismo para Lennon décadas depois. Algo expresso em uma das faixas do álbum, chamada “#9 Dream”.

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Talvez John Lennon se importasse mais sobre futebol quando garoto do que seus biógrafos possam indicar. Algo que nunca saberemos ao certo. O fato é que, como músico, ele foi craque como poucos. Deixou um enorme legado com os Beatles e em sua carreira solo, com canções que também são entoadas nas arquibancadas. Gênio que nasceu há exatos 75 anos, em 9 de outubro de 1940, e merece todas as lembranças.