A República Tcheca abre vantagem de 2 a 0 e parece caminhar para uma vitória tranqüila sobre a Turquia, selando sua passagem às quartas-de-final da Eurocopa. Aos 30 minutos do segundo tempo, os turcos descontam. Parece ser apenas o gol de honra, mas a turma de Fatih Terim não desiste. Nihat aproveita uma rara falha de Petr Cech e empata aos 42 minutos. Naquele momento, estava armada a primeira decisão por pênaltis em um jogo de fase de grupos pela Euro. Nihat, no entanto, tinha outros planos. Dois minutos depois, o jogador do Villarreal completa a virada turca. E o drama não acabou ali. O goleiro Volkan Demirel foi expulso por empurrar Koller, e a Turquia teve de se segurar até o fim com o atacante Tuncay no gol.

Um jogo épico, certamente. E que o Brasil foi privado de assistir ao vivo pela televisão. A Record preferiu combater o jogo da Seleção Brasileira com sua tradicional programação de domingo – mas a Record News preferiu mostrar o jogo de nenhum valor entre Suíça e Portugal. Vá lá, é televisão aberta. É condenável, mas quem fizer questão de assistir a Turquia x República Tcheca que pague uma TV por assinatura. Como se adiantasse…

O Sportv mostrou que está mesmo disposto a ficar com a pecha de canal oficial de Portugal na Euro, e também mostrou o “amistoso”. No outro canal, o mesmo jogo do Brasil que já estava sendo exibido na irmã Globo. Provavelmente, medo da concorrência dos outros canais fechados. Logo, era melhor que passassem Portugal mais tarde, mas não privassem o assinante de assistir à partida que realmente importava. Pior ainda foi o fato de enganarem o telespectador com chamadas como “Portugal de Felipão e Cristiano Ronaldo”, quando era óbvio que o craque do Manchester United seria poupado da partida.

A defesa de Buffon contra a Romênia, a atuação de Zidane contra o Brasil em 2006, o gol de Van Basten na final de 1988. Presenciar tudo isso ao vivo é a sensação de estar vendo história sendo feita. Algo que foi tirado do torcedor brasileiro neste domingo.

Os colegas colunistas já falaram o suficiente em seus textos anteriores sobre essa tentativa para lá de artificial de “abrasileirar” a cobertura televisiva. O problema é que já não é mais uma questão de achar que o telespectador é patriota. É achar que ele é burro.

Não faz falta

É o clichê mais comum por estes tempos: “A Eurocopa é a Copa do Mundo sem Brasil e Argentina”. Pois o Brasil, pelo menos, não está fazendo falta nenhuma naquela que caminha para ser a melhor Euro da história. Não este Brasil de um não-técnico, que só não levou uma goleada do Paraguai porque os adversários jogaram com um a menos durante praticamente todo o segundo tempo.

Depois de um começo morto, a Eurocopa engrenou com uma série de jogos emocionantes, disputados, com um futebol de primeira categoria. Ver a Holanda dando espetáculo, as duas finalistas do Mundial sofrendo até a última rodada, a Turquia vencendo duas vezes no final, a Espanha voltando a sonhar, até mesmo a Áustria se superando para dar orgulho aos torcedores em casa.

Isso sim que dá gosto.