Quanto tempo dura para absorver a realização de um sonho? Às vezes, o mesmo tempo que os pilares dele um dia demoraram para construir capítulos incríveis de uma história gloriosa. Quando se fala de futebol, pode ser um minuto. Ou nem isso. Um instante, talvez. Pode ser uma prorrogação. Como também pode ser um tempo regular inteiro. E duraram exatos 45 minutos, sem acréscimos, desde que o último desejo de vida de Paddy Lawler, um fanático torcedor do Manchester United, se concretizou até aquilo pelo que todos à sua volta, inclusive ele, já esperavam: sua morte.

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Quarenta e cinco minutos. Este foi o tempo a contar da hora que Marcus Rashford, Jesse Lingard, Ashley Young e Timothy Fosu-Mensah deixaram a casa em que Lawler viveu durante boa parte de seus 73 anos até o momento em que ele perdeu a batalha que vinha lutando contra. Sem nenhuma exigência ou pedido do United, os jogadores foram parar lá após um apelo escrito por Kayleigh Lawler, neta de Paddy, no Facebook. Nele, a britânica contava que seu avô sofria de câncer de próstata em estado avançado, e que seu único pedido antes de ir embora para sempre era que ele pudesse conhecer seus heróis. Aqueles que compõem o clube pelo qual nutria um amor maior do que qualquer função vital.

Para a surpresa de Kayleigh, o post viralizou e mais de mil pessoas se sensibilizaram com a história de Paddy. Uma delas foi um primo de Lingard, o responsável por transmitir a mensagem ao meia-atacante dos Reds. E este, por sua vez, deu uma aula de altruísmo ao se mobilizar junto a seus colegas de equipe para, três dias depois, visitar e arrancar o último sorriso do rosto de alguém que tantas vezes já sorriu pelo United. Em 73 anos, Lawler viu seu time do coração levantando 59 taças. Ou seja, basicamente acompanhou toda a era vencedora dos vermelhos de Manchester, isso levando em consideração que eles têm, ao todo, 64 títulos.

Antes de falecer, o torcedor passou pouco mais de meia hora acompanhado das jovens promessas do United (tirando o Young), assim como um dia foram Duncan Edwards, Paul Scholes, Bobby Charlton e Ryan Giggs, por exemplo. O último, aliás, era, ao lado de George Best, o jogador preferido de Paddy. “Meu avô era um torcedor muito fanático pelo Manchester United. A visita significou o mundo para ele”, contou Kayleigh ao Daily Mail. “Os jogadores foram jovens muito bacanas em fazer isso”, disse também Eunice, sua viúva, aliviada que o sentimento que consumia seu marido antes de morrer era o de felicidade.

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