A Itália atravessa um de seus momentos mais intensos no combate à pandemia de coronavírus. Depois de superar a quantidade de óbitos da China e ver os casos aumentarem dia após dia, o país começa a notar os primeiros sinais de sua política de isolamento social mais restritiva. Nesta quarta-feira, a curva de crescimento se tornou um pouco menos acentuada e as mortes diárias caíram, enquanto as recuperações aumentaram. E o Bologna deu um belo exemplo de como tentar tornar mais branda a reclusão daqueles torcedores que precisam enfrentar todas as consequências sozinhos em suas casas.

Nesta terça-feira, os rossoblù postaram um vídeo em suas redes sociais, em que jogadores aparecem entrando em contato com essa população solitária. Andrea Poli, Angelo da Costa (que está no Brasil), Riccardo Orsolini e o já aposentado Marco Di Vaio fizeram ligações telefônicas para conversar com os torcedores e oferecer um pouco de companhia. Os contatados são, em sua maioria, idosos. E não é preciso entender italiano para notar a alegria manifestada por vários deles ao perceberem que um ídolo está do outro lado da linha.

As conversas estão entre as mais triviais, perguntando sobre o dia a dia e falando sobre as expectativas quanto ao fim da reclusão. Ainda assim, os jogadores oferecem seus números a possíveis ligações futuras e manifestam o desejo de ver esses torcedores no estádio em breve. O destaque fica para a senhora que conversou com Poli, perceptivelmente emocionada e empolgada pela situação. Não é preciso fazer muito para ajudar.

Através da ação, o Bologna ajudou a divulgar os números de emergência para atendimento na região. A Emília-Romagna, onde está localizado o clube, é a segunda com maior número de casos no país: eram mais de 10 mil testes positivos até esta quarta-feira. Em compensação, o número de vítimas fatais é relativamente baixo, no menor percentual de toda a Itália – 2,9% dos pacientes vieram a óbito. Há quase duas semanas, os rossoblù orientaram que o técnico Sinisa Mihajlovic retornasse com sua família à sua casa em Roma, onde a disseminação do vírus é menos intensa. O sérvio se recupera de uma leucemia e faz parte do grupo de risco.