Durante os últimos dias, a Real Sociedad causou controvérsia na Espanha ao prever o retorno de seus treinamentos. Os bascos planejavam retomar as atividades em seu CT durante o início desta semana, trabalhando em grupos isolados, mas a despeito da situação gravíssima que o país enfrenta em meio à pandemia. Diante das contestações, os txuri-urdin desistiram da ideia. E, ao menos, a Real merece elogios pelo pacote de medidas financeiras anunciadas. O clube se comprometeu a não dispensar funcionários ou solicitar ajuda governamental, enquanto devolverá 20% do valor do carnê de temporada aos torcedores, após reduzir os salários de seus jogadores.

O primeiro anúncio positivo veio com a decisão de respeitar as recomendações e adiar o retorno aos treinamentos. Nada mais lógico, especialmente para não contestar o decreto de isolamento social e para não se colocar como exceção em relação ao restante dos clubes. A Real estipulou uma série de medidas preventivas à retomada das atividades, até aprovadas pelas autoridades locais, mas o Conselho Superior de Esportes não considerou viável a abertura das instalações em meio ao estado de emergência na Espanha. Após uma conversa entre o organismo nacional e a diretoria, os bascos emitiram uma nota relatando o respeito à posição.

“Após as conversas com o CSD e de acordo com a vontade da Real Sociedad de respeitar e atuar conforme o que a sociedade requer, decidimos seguir com o trabalho individualizado dos nossos jogadores profissionais. Portanto, os jogadores continuarão realizando o trabalho em seus domicílios. Queremos recordar que a decisão da Real Sociedad consistia que os atletas tivessem a opção de continuar com seu trabalho individualizado em Zubieta. Em nenhum caso esse trabalho ia ser grupal. Cada jogador decidiria se ficaria em casa ou viria ao CT, cumprindo sempre com medidas de segurança estabelecidas pelas autoridades sanitárias”.

Ao mesmo tempo, a Real Sociedad estabeleceu o diálogo para o reajuste de suas finanças durante a suspensão das atividades. A diretoria chegou a um acordo com um elenco e os jogadores reduzirão seus salários em até 20%, caso a temporada seja cancelada. Tal percentual é gradativo e, se as competições forem encerradas normalmente, o corte será de apenas 5%. Os txuri-urdin ressaltaram, em sua nota oficial, que a postura dos atletas é importante para equilibrar as finanças.

Em paralelo, a Real Sociedad confirmou que não proporá a suspensão temporária dos contratos de seus funcionários e nem recorrerá ao governo para cobrir suas contas. “Queremos evitar qualquer tipo de medidas laborais traumáticas durante a vigente temporada”, reforçou o clube, em sua nota oficial. Também estão suspensas todas as obras previstas para as instalações do clube, incluindo o estádio e o centro de treinamentos.

Já em relação aos torcedores, a Real Sociedad optou por devolver 20% do valor dos carnês de temporada a todos que adquiriram tal recurso. O clube preferiu não esperar a definição do que acontecerá com o restante do Campeonato Espanhol para realizar o reembolso. “Não sabemos se a competição será disputada e, se isso ocorrer, desconhecemos se será com portões fechados ou com toda a torcida nas arquibancadas – que é o que todos nós gostaríamos. Em todo caso, estas medidas se aplicarão inclusive na possibilidade de que a liga volte com portões abertos”, explicou a Real. Conforme a nota, isso só foi possível graças à redução salarial dos jogadores.

A Real Sociedad ainda prometeu adotar novas fontes de financiamento para manter sua estrutura e sua competitividade. Os txuri-urdin ocupavam o quarto lugar de La Liga, com 11 rodadas a disputar, e mostravam forças para sonhar com o retorno à Champions League. Além disso, a equipe também estava garantida na decisão da Copa do Rei, na qual faria o clássico contra o Athletic Bilbao no Estádio Olímpico de Sevilha. Segundo o zagueiro Diego Llorente, em entrevista ao Marca, a preferência no elenco é por aguardar o momento para realizar a final com portões abertos. Todavia, caso o torneio seja concluído, a tendência é de arquibancadas vazias.