Hakeem al-Araibi, defensor de 25 anos do Pascoe Vale, clube de Melbourne em um segundo patamar do futebol australiano, passou mais de 70 dias em uma prisão da Tailândia, até ser libertado, nesta segunda-feira, para voltar à Austrália, onde vive com status de refugiado desde quando fugiu do Bahrein, país em que nasceu.

Al-Araibi deixou o Bahrein, em 2014, depois de ser condenado a dez anos de prisão porque teria vandalizado uma estação de polícia. Ele nega as acusações, argumentando que, na hora do ataque, estava disputando uma partida transmitida pela televisão. Alega que foi torturado, dois anos antes da condenação, quando estava preso supostamente pelas atividades políticas do seu irmão durante a Primavera Árabe.

O jogador foi detido em Bangcoc, em novembro do ano passado, viajando em lua de mel com a esposa, depois de uma notificação da Interpol, embora a política da organização internacional seja de não notificar os países de origem de pessoas com status de refugiado.

O Bahrein vinha trabalhando para conseguir a extradição de Al-Araibi, que alegava que seria torturado caso fosse obrigado a retornar. A nação do Golfo nega as acusações de violação de direitos humanos. O caso ganhou repercussão internacional, com nomes como Drogba e Gary Lineker pedindo a liberação do jogador e pressão sobre a Fifa para ameaçar sanções contra o futebol do Bahrein.

O escritório do Procurador-Geral da Tailândia pediu o fim dos procedimentos contra Al-Araibi, explicando que o Bahrein não estava mais interessado no pedido. O ministro das Relações Exteriores da Tailândia passou o fim de semana no Bahrein, onde se reuniu com líderes do governo. De qualquer maneira, o ministério de Relações Exteriores do Bahrein reserva seu direito de “perseguir ações legais” contra o jogador.

Depois do que foi considerado por ativistas dos direitos humanos como uma vitória, Al-Araibi voa para Melbourne, onde será recebido pela mulher e pelo seu Pascoe Vale, clube que, enfim, poderá voltar a defender.