A cada rodada, um duelo para ser lembrado por muito tempo. A Premier League 2015/16 vive uma sucessão de jogaços. E, neste domingo, o Estádio Emirates recebeu mais um para marcar uma das melhores temporadas da história do Inglês. A narrativa da partida pode até enveredar para as decisões da arbitragem, que acabaram sendo determinantes. No entanto, seria injusto com uma tarde de tantos heróis. De tanta vontade. De tanta intensidade. Arsenal e Leicester fizeram um embate de filosofias de jogo diferentes. E, no fim das contas, a valentia das Raposas com um a menos não resistiu os 94 minutos. No último lance, Danny Welbeck definiu a virada por 2 a 1 dos Gunners, que realimenta as esperanças de ficar com a taça.

Desde os primeiros minutos, o confronto em Londres evidenciou as diferenças no estilo das equipes. O Arsenal era quem propunha o jogo. O time de Arsène Wenger trabalhava muito bem a posse de bola, trocando passes e rondando a área do Leicester. Contudo, os visitantes se defendiam com primazia. A solidez das Raposas era impressionante, diante da pressão exercida pelos londrinos. E um nome, em especial, se sobressaía: N’Golo Kanté. O volante francês faz uma campanha espetacular no novo clube, mas conseguiu destoar ainda mais neste domingo. Parecia presente em todos os cantos do campo (e estava), tanto para dar o combate quanto para iniciar a saída de bola em velocidade.

O Leicester, por sua vez, prezava pela verticalidade que tem caracterizado a excelente temporada que faz. O time era bem mais voraz em suas ações, e criou as duas melhores chances do primeiro tempo. Porém, acabou parando em outro dos protagonistas no Emirates, Petr Cech. O veterano continua em forma estupenda, e espalmou cabeçada à queima-roupa de Jamie Vardy, antes de voar para espalmar com a ponta dos dedos o chute colocado de Kanté. A partida era distinta em cada lado do campo, mas brigada de igual para igual. Até que a arbitragem interferiu pela primeira vez. Os Gunners já reclamavam de um toque de mão não marcado de Kanté dentro da área, quanto Martin Atkinson interpretou pênalti sobre Vardy. O próprio artilheiro bateu e venceu Cech, abrindo o placar aos 45 minutos.

Já no início da segunda etapa, o jogo parecia se concentrar mesmo nas polêmicas da arbitragem. O Leicester, por sua vez, reclamou de um pênalti sobre Riyad Mahrez. Enquanto isso, a expulsão de Danny Simpson com o segundo amarelo (o primeiro, especialmente discutível) deixou os visitantes com um a menos a partir dos nove minutos. Intensificou ainda mais as disparidades na maneira de propor o jogo. As Raposas se fechavam ao redor de sua área, sem Mahrez, substituído para que Claudio Ranieri recomposse a defesa. Já o Arsenal partia para cima, com Theo Walcott e Danny Welbeck reforçando o ataque.

Faltava precisão ao ataque dos Gunners, errando o alvo muitas vezes. Mas sobrava pressão e insistência. O empate saiu aos 25, a partir de uma bola desviada de cabeça por Giroud, que Walcott não perdoou. E a virada escapava pelas mãos a cada minuto, com a entrega do Leicester para proteger seu gol. Quando Giroud conseguiu uma finalização certa, parou em defesa monstruosa de Kasper Schmeichel, mesmo com a visão encoberta. E cada gota de suor das Raposas ia valendo a pena, diante de um empate já favorável para a situação do time no topo da tabela.

No entanto, outra reviravolta ainda aguardava o último minuto daquele jogo. E coube a Danny Welbeck definir, justo na partida em que voltou ao time, após 10 meses sofrendo com as lesões. O cruzamento perfeito de Özil encontrou a cabeça do inglês, que desviou sem dar chances para Kasper Schmeichel. O herói inesperado em uma partida acima das expectativas. Ao Leicester, apesar do esforço em vão, valeu reconhecer o espírito até o lance derradeiro.

A vitória permitiu ao Arsenal se aproximar do Leicester, ainda líder, mas agora com apenas dois pontos de vantagem. É apenas o terceiro tropeço das Raposas na campanha, mas a segunda para os Gunners. Com mentalidades diferentes, os dois times buscam a taça, e a eficiência do time de Ranieri tem sido mais decisiva contra os demais adversários. A supremacia de Wenger no confronto direto, todavia, pode cobrar o seu preço ao final da competição. Apesar da interferência negativa da arbitragem e das reclamações para os dois lados, foi um jogaço mesmo assim.