Jérôme Champagne é o primeiro candidato a oficializar sua candidatura à presidência da Fifa. O francês fez o anúncio nesta segunda-feira, em um documento em que colocou de maneira rápida suas ideias para a entidade e até propôs a criação de um debate televisionado entre os candidatos, para que a votação seja feita com base nos planos que os candidatos têm para o futebol e em suas capacidades. Champagne deverá ganhar a companhia de Joseph Blatter nas eleições que acontecem em junho de 2015, mas o presidente da Fifa ainda não oficializou sua intenção.

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Todo o comunicado oficial de Jérôme Champagne foi permeado pela ideia de transparência que pretende introduzir na Fifa. A principal bandeira do francês é, no entanto, a de reforma no comitê executivo da entidade. O primeiro candidato oficial pretende dar mais espaço às federações, em detrimento das confederações, descentralizando um pouco o poder hoje concentrado. Champagne pede um debate democrático na Fifa, propondo maior receptividade aos 209 países associados à entidade, maior flexibilidade com as mudanças pelas quais passa o futebol atualmente, modernização na arbitragem (o que incluiria uso de recursos eletrônicos para auxiliar a tomada de decisões), maior inclusão de clubes, jogadores e ligas nas decisões, entre outras coisas.

Apesar de clamar por transparência, o francês não é específico no que quer dizer com isso. Deverá deixar os detalhes mais para frente. Apenas disse no anúncio da candidatura que sua política de “livro aberto” pode ser comprovada pela constante divulgação de comunicados, o que não significa tanta coisa, na verdade. Entretanto, é bom lembrar que Andrew Jennings, jornalista autor de livros que dissecam os negócios escusos da Fifa, afirmou certa vez que Champagne era “um dos poucos executivos da Fifa que são limpos”, se referindo ao período de 11 anos em que o candidato trabalhou na entidade.

Champagne deixou a Fifa por supostamente estar se aproximando de presidentes de federações e confederações para articular sua candidatura, em 2011. Além disso, tinha algumas inimizades lá dentro, como Mohamed Bin Hammam e Jack Warner, ambos banidos da entidade por denúncias de corrupção.

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No quesito idoneidade, é difícil taxar qualquer coisa sobre Jérôme Champagne. Aparentemente, sua imagem é positiva, embora pouco possa ser afirmado. O que dá para dizer é que o candidato se apresenta como uma terceira via interessante na eleição, em comparação aos basicamente confirmados Blatter e Platini. Suas ideias de expansão do debate sobre o futebol, sobretudo a criação de um espaço para se discutir as propostas e os projetos antes que os votos sejam definidos, já traz algo de novo para a discussão. Ainda assim, ele precisará de boas alianças se quiser mesmo se eleger, e nesse ponto terá no suíço e no conterrâneo francês grandes adversários.